Liga Europa

Quando Mourinho substitui Octávio Machado no cargo de treinador do Porto para, duas taças europeias depois, passar o testemunho a Del Neri, tivemos que nos resignar a acreditar no papel salvífico do Special One.
Que teria sido impossível uma equipa portuguesa chegar a uma final sem o seu génio, que teria sido impossível marcar golos com o Postiga em campo, que teria sido impossível tirar quilos ao Nuno Valente. Acreditámos no homem providencial, aquele sem o qual estaríamos condenados a viver contra Viena, contra uma única lembrança, contra aquela noite parada (pausa para arrepio). Julgávamos ter ficado a dever a Mourinho o absurdo de ripostar aos rigores da economia, aquela que condenou os países periféricos a exportar os seus melhores aos 18, a aceitar o regresso de jogadores em pré-reforma, a arriscar pontes aéreas com empresários da América latina.
Sendo de ressalvar que uma Liga Europa não é uma Champions, a presença de duas equipas portugueses numa final europeia 7 anos depois de Gelsenkirchen é um sério aviso à tentação deificante, por muito que devamos incensar Pinto da Costa, Villas-Boas ou Falcão. Na minha opinião devíamos estar mais ocupados em agradecer as muitas variáveis que nos concederam a graça do Portismo: ancestralidade familiar no Norte, ausência de um pai castigador que nos tivesse massificado enquanto benfiquistas, sensibilidade lírica para golos de calcanhar, tenacidade perante o desastre, resistência ao exílio, uma adolescência passada com o Poster do Fernando Couto no quarto, amor aos clássicos. Não sei a que sortilégio agradecer a filiação na causa portista, sei que “ao destino agradam as repetições, as variantes, as simetrias”, não vou dizer que para o ano ganhamos Champions, mas (como dizia o semi-deus) penso.
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Da Luz com amor
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Chegou o dia de ser sincero: depois da derrota no Dragão por não estava à espera de voltar a pôr os olhos no Jamor este ano. A minha estratégia nos dias anteriores à contenda saldou-se pela cobardia do “eles que fiquem com a fruteira”, “não estou interessado em disputar taças na catedral do fascismo”, “o Jorge Jesus é uma boa pessoa”. Enfim, tentei enganar-me com todos os artifícios e mentiras que me permitissem confrontar com a dificuldade de virar uma desvantagem de dois golos. Sejamos claros, a única forma de o Porto se classificar passava por marcar 3 golos na Luz com o Roberto no banco.
Valeu-nos a exorbitante confiança de uma equipa que tem em João Moutinho o seu capitão moral. A certa altura, a cada recuperação de bola eu dava por mim a entornar a cerveja estupefacto com a capacidade do pequenitates para se interpor no curso normal dos passes falhados pelo Jardel. Digamos apenas que o sofá do Aleixo ficou pejado de Sagres. Mas valeu-nos também a crise de identidade de Jorge Jesus. Jorge Jesus não consegue alimentar a raiva dos jogadores dele contra o Porto por uma razão: ele não consegue ter raiva ao Porto. Convenhamos que não é fácil ter raiva a um clube que — no maior acto de sabotagem da história do futebol — ofereceu 4 milhões de euros pelos seus serviços. No fundo, é como uma mulher manter-se fiel ao seu marido rezingão depois de receber um telefonema do Jude Law para beber um martini na Riviera. Pinto da Costa minou o Benfica pelo “amor em euros” que mostrou a Jorge Jesus (se não estou em erro 4 milhões seria a maior transferência de um treinador da história do futebol). Depois disso bem podia o Rui Gomes da Silva — o hooligan de segunda à noite — debitar ódio semanal, bem podia o Filipe Vieira incensar a vingança do Benfica contra o Benquerença, contra o Guimarães e contra as galáxias pode descobrir. Jorge Jesus não pode tomar parte desse ódio na mesma medida em que nós, narcisicamente, não conseguimos dizer mal de alguém que nos elogia a nosso spaghetti alla carbonara feito com arroz basmati.
Mas além do dilema afectivo que Pinto da Costa semeou no empedernido coração de Jesus, há um dilema mais prosaico, um dilema táctico. Jorge Jesus montou a equipa para massacrar com um futebol de "ataque diabólico". Acontece que por questões que se prendem com a resistência do corpo humano ou com a eventual gestão de um resultado favorável, há alturas em que o melhor é abrandar ritmos, gerir energias e, vamos dizê-lo, jogar à defesa. Ora, o plantel do Benfica deve ser o único do mundo que só tem um meio campista de qualidade que sabe defender, chama-se Javi Garcia (pelas razões óbvias não falarei do Airton). Querem uma amostra de meio-campistas que permitem atacar e gerir um resultado: João Moutinho, Belhushi, Fernando, Guarin, Souza. A isto, meus senhores, chama-se um plantel.
Portanto, ao contrário do que vai fazendo doutrina, Jorge Jesus não perdeu o jogo por ter jogado à defesa, coisa que não sabe nem se preparou para fazer. Jorge Jesus perdeu o jogo porque, à falta dos argentinos das extremas, abdicou de atacar, isto é, porque abdicou de jogar — facto que fica comprovado pela presença de Aimar no banco ao longo de pacientes 70 minutos. Desde as vitórias nos jogos sem fronteiras em San Marino que não me lembro de ganhar tanto no mesmo sítio. O Estádio da Luz é a prova de que devemos voltar sempre aos lugares onde fomos felizes.
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O Título de Villas-Boas

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Apesar de todos os indícios, posso assegurar que o Estádio da Luz não foi construído sob o mesmo conceito arquitectónico da Avenida dos Aliados. Aliás, há diferenças óbvias entre a concepção de um arruamento de 250 metros e a edificação de um parque de festas para entretém periódico dos jogadores do FCP. Acompanhei os festejos a meio caminho, à saída da portagem de Taveiro hesitei entre seguir A1 para Norte ou para Sul. Acabei por ficar na berma a ouvir as conferências de imprensa enquanto me decidia, entretanto fui apitando em jeito de festa até acordar com aquele silêncio da "solfagem" que se segue è morte da bateria. Antes disso, antes mesmo de ser vandalizado por uma multa por estacionamento indevido e pelos honorários o reboque, isto às 9 da manhã, ouvi as palavras que melhor captam a insigne ode ao título ontem conquistado.
Villas-Boas (V-B), assumindo-se como treinador adepto, o último de uma linhagem que remonta a António Oliveira, lembrava de como já tinha sido feliz no Estádio sa Luz. Com 20 anos V-B estava em Lisboa num estágio que aparentemente consistiria em acompanhar os treinos do Sporting. Como o fastio das noites da Pensão Alegria o torturasse, lá se decidiu a ir sozinho a ver um jogo da Supertaça ao velho estádio da luz. Não pôde festejar os 5 golos do Porto porque lá se lembrou que era muito novo para ser selvaticamente linchado (há experiências que devem ser saboreadas com outra maturidade). A história de Villas-Boas e do seu encontro primordial com Bobby Robson repõe a mitologia do amor à camisola entre os profissionais da bola (refiro-me aos agentes desportivos que não pelo conceito de Ricardo Costa). Só por isso, não poderia agradecer o suficiente a Villas-Boas por este título. Com este campeonato, Villas-Boas reuniu o velho futebol da paixão de bairro com o labor cosmopolita de quem, das Ilhas Virgens à Mata-Real, sabe mais de bola que muitos anciãos dados à bazófia.
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O mal dos outros
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Virada que foi a vaga aflição trazida pelo confronto com a Académica, e enquanto não é a hora de festejarmos o campeonato no túnel da luz, o portista carente de emoções futebolísticas não tem outro remédio senão virar-se para as eleições do Sporting (eu sei, eu sei). Há muito que aquele clube não conseguia cativar os meios de comunicação social além das rádios regionais e das tardes em que a redacção da “Bola Branca” se apanha com falta de assunto e, acto contínuo, telefona ao filho de um dos 5 violinos para um pizzicato de nostalgia.
Enquanto José Eduardo Bettencourt faz repousar todas as suas possibilidades de redenção na hipótese de Sinama Pongolle mostrar no Saragoça que afinal não é inferior ao Rodrigo Tiui, os 5 candidatos do Sporting fazem repousar todas as hipóteses de prosperidade futura em mostrar que não são tão maus como Godinho Lopes. Godinho Lopes é o que tem mostrado mais dificuldade em distanciar-se da sua existência enquanto pessoa anódina: as tentativas de produzir um camuflado com Luís Duque, Carlos Freitas e Domingos embatem com gravidade no brilho da sua insignificância. Ainda assim o mais surpreendente é a dificuldade dos outros candidatos para serem incrivelmente melhores do que Godinho Lopes: não são.
Dias Ferreira nesta contenda tem momentos em que parece ser uma pessoa a quem poderíamos entregar o cão para que o passeasse uns 15 minutos, não é: o mais acertado será levar o cão directamente para o matadouro municipal. Abrantes Mendes, irmão gémeo de Defensor de Moura em quem votei nas últimas eleições, conseguiu ganhar um debate; por deus quando um homem daqueles ganha um debate a hipótese de entregar o Sporting a um ditador sul-americano dos anos 70 na reforma deve ser seriamente ponderada. A bitola posta nestas eleições cria a ilusão que Pedro Baltazar é um pouco melhor que o rei Jorge VI recentemente representado por Colin Firth, não é. Enquanto o rei Jorge VI se entaramelava porque o aparelho vocal tinha dificuldade em acompanhar o tempo discursivo do seu pensamento, Pedro Baltazar (um homem bonito que passou ao lado de uma carreira como modelo de relógios caros) desacelera a fala para que lentidão do seu pensamento tenha uma qualquer banda sonora.
Já Bruno de Carvalho no meio daquela salsa parece ser o Martin Luther King dos tempos modernos, não é. Além de uma boa voz e de uma assertividade que parece fazer medo aos demais contendentes, em condições normais Bruno de Carvalho teria poucas hipóteses de ganhar as eleições da União de Coimbra nem que o Mandatário fosse o Abramovich (de notal que a União de Coimbra, tal como o Sporting, há anos que não tem futebol sénior). Mas nada disto é normal e o Sportinguistas devem ter a inteligência de escolher o Martin Luther King de trazer por casa: uma voz grossa e uns russos com dinheiro a sobrar é mais do que qualquer um dos outros candidatos tem para oferecer.
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O Balanço Possível
Nesta jornada o espectro de um campeão com pior futebol do que o Benfica foi exorcizado. O massacre de Jesus aos músculos dos seus argentinos poderá levá-lo a sentar-se no banco do Tribunal Penal Internacional antes do fim da época. Acusação: morte artística.
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James Rodriguez, o n.º 10
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Raramente me debruço nos meandros da táctica fundado na ingénua noção de que a socialização do futebol implica um diálogo com realidades que lhe são exteriores: a poesia, o bailado, os dirigentes do Sporting. Mas a verdade é que dou por mim demasiadas vezes a assistir interressado aos movimentos auto-referenciais de um idioma que me é desconhecido – no caso um canal de jardinagem búlgaro da Tvcabo –, tanto que tenho dificuldade em compreender que as pessoas dotadas de corpos se recusem imergir no mundo intrincado das basculações tangentes à circulação do médio interior. Sejamos francos, como dizem estes, ou como dizia o bom do Merleau-Ponty, o facto de vivermos através de corpos, querendo ou não, estabelece uma comunalidade no modo como encaramos o fenómeno da vida: todos ficamos esventrados ao assistir à lesão do Emídio Rafael, consternados com o penteado do Fábio Coentrão, deliciados a ver o James Rodriguez a jogar a 10, divertidos com a a candidatura de Dias Ferreira. O facto, meus caros, é que o Porto tem um problema. Chama-se James Rodriguez e até ao passado sábado era apenas um puto de 19 anos que actuava na ala com a maturidade e com a apetência para repentismos de um Figo aos 37 anos.
Se no caso do Figo o maduro estava na inteligência para esconder que os arranques o começaram abandonar quando abandonou a Catalunha, já no caso de James cruzam-se dois factos que nada devem à extrema sabedoria do anti-herói da selecção portuguesa – o jogador que muitos sportinguistas viam (gargalhada) a acabar a carreira no Sporting por amor ao clube (não há pequenos almoços grátis e assim). Mas voltemos ao James. Primeiro facto: o homem é precoce nas artes de não errar e dentro daquela serenidade toda – aquilo que em cima chamámos maturidade - existe o bem escondido pânico de perder uma bola. É como uma pessoa tímida que cumprimenta pro-activamente toda a gente quando chega ao café para ter completo domínio sobre um quadro de interacções cuja vida própria a ameaça.
Assim, deslocado para uma ala James não é um extremo desequilibrador clássico, longe de primar pelas perfídias do 1 para 1, James desequilibra pelo modo como mantém a circulação de bola em zonas do campo tradicionalmente associadas ao labor especialista do drible para a linha. Em segundo lugar, em inteira articulação com o imperativo de ajudar a equipa a ter mais de 60% de posse bola, vem aquilo que constatámos no sábado com a mudança táctica operada por Villas-Boas: James é um número 10 e toda a sua experiência junto à linha é uma tematização coreografada da experiência do exílio. Qual judeu ortodoxo de longas barbas a passear-se pelo Marais entre esplanadas pejadas de gays musculados, James comporta-se a extremo com os rituais originais de um distribuidor de jogo. Sendo com 19 anos melhor extremo do que muitos virtuosos da finta, o jogo de James vai exigir a prazo uma equipa que lhe dê o vértice avançado do losango.
Jesualdo abdicou temporariamente do 4-3-3 por Anderson, Villas-Boas já percebeu que a definição táctica do futuro do Porto passa assunção de James a 10. Mais do que um 10 fora do sítio, James é um 10 porque que aprendeu a comunicar com o mundo num corpo deslocado do seu espaço de conforto.
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Jornada 18 - A sombra de uma dúvida
A relação do Valter com picanha chegou a um beco sem saída: a faixa central onde o Hulk foi posto a jogar.

Pessoas que eu considerava amigas tentam destruir-me as relações com aqueles que eu mais estimo. Após a derrota para a taça, nem a equipa tinha entrado no túnel, e já me sopravam nos ouvidos com todo o tipo de injúrias a Villas-Boas. “Repara que ele é novo e giro e a qualquer momento foge com a tua namorada para as ilhas virgens, tem lá conhecimentos e sabe onde se servem os melhores daikiris”. Houve ainda quem tentasse emprenhar-me com argumentos menores: “não achas incrível que ele meta o Hulk no meio?”. “E o Sereno? Não achas que o Fucile dava mais pica àquela ala?”. “O facto de Valter estar gordo não devia ser um impeditivo, olha para ti és um balofo e nem por isso deixamos de jogar contigo.”
No fim da vitória tristonha com o Rio Ave, voltaram à carga. É claro que nessa altura já estava preparado para rebater os argumentos mais insidiosos, lembrei-me que não tenho namorada desde o tempo do Artur Jorge, lembrei-me que a genica do Fucile nesta época costuma redundar em penalties para as equipas adversárias, lembrei-me que não é inteiramente verdade que a malta jogue comigo porque quer (só eu é que tenho o número do homem que abre o pavilhão, por isso não têm outro remédio).
Mas, eu sou assim uma pessoa: publicamente defendo aqueles que amo e depois, no sossego da fila do Brasil ao Peso, deixo cair em mim a sombra de uma dúvida: “O Hulk no meio?”, “Será que na Figueira fazem bons Daikiris?”, “que calmantes é que ele andou a dar ao Belluschi?”. Na altura de pagar, dou em mim conciliado com os eventos mais recentes, o Iturbe marcou contra o Brasil, ainda temos 11 pontos de vantagem, O Benfica ganhou porque o Maicon e Fernando estariam concentrados na crise do Egipto, e o Rio Ave, bem vistas as coisas, é uma equipa difícil. Recebo sms do homem do pavilhão a avisar que deu à filha o nome da Andreia Villas-Boas Jasmim, homenagem ao povo do Egipto e ao treinador do 5-0. Que vai haver um mês com 5 sextas e que é preciso avisar à malta para pagar mais 3 euros. Que vamos ser campeões.
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Hulk, um Penalty do Renascimento
O penalty que deu a vitória ao Porto em Aveiro deu escusado brado. Na minha opinião, tamanha salganhada de equívocos, e que outro nome dar a Rui Gomes senão Equívoco Logo Existe, só pode acontecer porque a alma contemporânea se encontra alheada da contemplação dos clássicos. Um autor publica um livro e em vez de se tentar encostar às verdades universais que amanhou numas quantas tiradas de génio, logo se precipita em fazer um contrato com o editor a fim de uma sequela que lhe possa render mais mulherio e, em podendo, dinheiro e gajos.
Há jogadores que pensam o futebol jogado com tais requintes de materialismo que não param para apreciar uma finta. Tomemos como exemplo o túnel, epítome do gesto técnico que se basta. Quando fazemos um túnel ao adversário os níveis de altivez estética estão alcançados ainda que fôssemos a jogar em contra-mão na direcção da nossa própria baliza. A ineptidão dos realizadores de futebol para gravar os pequenos momentos de fantasia, e com eles de toda máquina dos resumos com Nuno Luz à cabeça, implica que só fiquem registados para a posterioridade as estéticas do golo. Toda a gente apupa o jogador que se dá ao desfrute de ficar a contemplar a própria finta, uns milissegundos que seja, apenas porque essa contemplação o poderá afastar da compulsão hodierna pelo golo (aquilo que noutro lugar, umas linhas acima, na verdade, gostaria de ter chamado, a hegemonia candente da estética do golo).
A passagem de Ronaldo de extremo fantasista a goleador, por exemplo, cavou um fosso para Messi nas cogitações sobre o exercício da arte. Por outro lado, a assombrosa capacidade de Ronaldo para afunilar as suas virtudes em favor da obtenção do golo (desde 2007-2008) tem-lhe garantido um lugar na luta pelo sublime, lugar que não merece enquanto virtuoso, mas que merece enquanto ser capaz de abdicar - abdica de momentos técnicos em favor de comparência semanal no resumo como o golinho da praxe, no fundo, largou a finta para se especializar no remate. Naquele lance ocorrido em Aveiro, Hulk, que anda pouco maçado por aparecer nos resumos só a fazer golos, quis gozar no ar uns instantes antes de retomar o contacto com a bola.
Ali estava ele no ar a contemplar a perdição de André Marques, quando é ceifado pelo pé de coice: penalty. Repetida a imagem mil vezes sabemos que é penalty, mas percebemos que algo está errado no momento que Hulk fica suspenso no ar. Nenhuma simulação, mas se me permitem, eu explico a disjunção cognitiva: não estamos habituados a ver um homem gozar uma finta enquanto objecto final do prazer, e ninguém percebe que isso leve um tempo. Foram-se os clássicos, e ninguém está cá para contemplações. Conta comigo, Hulk.
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"Boa noite e boa sorte"
As pessoas no restaurante mexicano divertiram-se em explanações como quem visse um jogo de futebol. Não perceberam, porventura, o obsceno voyerismo montado pela Sporttv: a transmissão televisiva das deambulações existencialistas de Maicon.
O jogo entre e o Sporting e o Porto deverá partir de um de dois pressupostos: a) Maicon conhece os romancistas russos e vive as angústias de algumas das suas personagens através de um processo inconsciente de imitação; 2) os romancistas russos acoitaram com tal perspicácia os baixios e euforias da alma humana que se tornou possível assistirmos, em 6 de Dezembro de 2010, Lisboa, Estádio José Alvalade, à recapitulação daquilo que se passou com Rodion Romanovich Raskolnikov em São Petersburgo há bem mais de um século. Sem querer negligenciar o domínio da nova geração de centrais brasileiros da obra de Dovstoievski, estou francamente inclinado para a segunda hipótese.
Quando Valdés surge isolado perante Helton há um momento em que Maicon tem a opção de tentar tirar a bola em esforço ou de tentar dar uma panada no Valdés sem esforço nenhum. Talvez porque tivesse querido manter-se dentro do império da lei, Maicon limitou-se a dar um toque na bola que permitiu enquadrar o chileno perante a baliza melhor do que o próprio seria – e é – capaz de fazer. Sofrido o golo, ficou em Maicon a consciência de ter errado colossalmente sofrendo apenas o castigo de lhe pesar na consciência o golo que poderia valer a derrota ao Porto. Quando Falcão empatou Maicon sentiu enfim que estava em condições de desfazer a clássica disjunção moral: “pesa-me na consciência aquilo que a lei dos homens jamais conseguirá punir, e o peso na consciência não é senão o sentimento de uma insuportável impunidade”. Como o destino não lhe desse oportunidade, Liedson foi atraído ao engodo da pressão alta, ganhou a bola e Maicon pôde enfim matar em praça pública a velhinha que Raskolnikov guardou para a intimidade. Maicon saberá que o crime público tem a sanção pública suficiente para libertar as intimidades da uma flagelação que seria, assim, a todos os níveis, uma redundância disparatada. Virado que foi o Liedson, conseguida que foi a expulsão, Maicon pôde ir tomar banho com a noção de que a perda de titularidade para o Otamendi seria paga mais do que suficiente.
Se Maicon voltar a ser um central com futuro é porque cumpriu o seu tempo. Terá a cabeça limpa da espisteme da culpa e encontrará um ambiente favorável à redenção. Há que jogar com as ironias dos paradigmas culturais que pisamos: de Valdés para Liedson Maicon errou melhor porque socializou o erro de uma forma mais franca. Um central que dorme descansado a expensas da sua reputação só nos pode dar garantias de futuro.
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Jornada 10 - "Hulk, faz-me um filho"
Por uma política que insiste na valorização de jovens promessas sul americanas a bem dos fundos de investimento, Jorge Jesus foi privado de ver entrar no plantel jogadores feitos que lhe permitissem emular os níveis competitivos da época anterior. Errou ao colocar David Luiz na esquerda (perdeu um central e um defesa esquerdo), e errou, mais ainda, ao deixar Saviola no banco fazendo avançar Aimar para o seu lugar (perdeu o segundo avançado e o playmaker). Apesar de tudo, pelo futebol que fez carburar no Benfica, por ter inventado Fábio Coentrão como defesa esquerdo, Jesus tem crédito para errar e impressiona ver a ingratidão com que tantos os benfiquistas o têm tratado, apenas porque incapazes de lidar com as condições extremas de humilhação a que foram sujeitos pela superioridade do futebol de Hulk, Beluschi, Falcão, Varela e companhia (a hegemonia do Porto nos últimos 20 anos tem muito mais a ver com as trivelas do Quaresma do que com outra coisa qualquer).
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Jornada 9 - Académica meu amor
Sábado passado fui assistir à Tempestade com Varela no papel de George Clooney. Por um sortilégio que não vale a pena descrever em pormenor (uma amiga minha é irmã do sócio gerente de uma empresa da cidade que recebe convites para os jogos com frequência e não havendo interessados nos altos quadros da dita empresa os amigos das irmãs dos altos quadros poderão ser bafejados por um convite com direito a vinho e a arroz de pato) tive o ensejo de assistir ao jogo comodamente instalado entre os canapés da bancada vip. Vips propriamente ditos vi o Pinto da Costa, a quem fiz questão de segurar a porta para passar aproveitando para um leve aceno da cabeça como quem diz “Confie, o James Rodriguez é uma cartada de génio, senhor presidente". Também lá estava o Fernando Gomes com ar de quem deve ter algum aproveitamento entre o mulherio nostálgico dos goleadores dos anos 80. Entre os anónimos, além de umas pessoas que conheço da charcutaria do Pingo Doce, lá estava o Paulo Bento. (...)
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Hulk, vê se escreves
O futebol de Hulk representa um assombro que o futebol português não merece e que o Porto nos oferece por manifesto excesso de generosidade. Tanta generosidade, aliás, está a ter como ingrato retorno sucessivas queixas entre os guarda-redes adversários, aparentemente, por dores de costas (nenhuma actividade tem tantas contra-indicações psico-somáticas como ir apanhar a bola ao fundo das redes). Lamentavelmente, a partida de Hulk para a Europa, aquela a salvo do FMI, está por meses; é minha convicção que o valor a resultar dessa venda será pouco importante se considerado o simbolismo histórico envolvido no previsível destino do Givanildo.
“Se a memória não me falha” é um preâmbulo bem-intencionado cujo uso se torna ridículo na minha idade. Se a memória não te falha jovem pouco molestado por ressacas de gin, pessoa de bem com pouco remorso a atrapalhar a limpeza da lembrança, feliz pouco traumatizado que não precisas de te atirar para baixo do sofá quando te acorrem as memorablias da adolescência, então os meus sinceros parabéns. Se a tua memória é parecida com a minha então deixa-te de presunções e vai à Wikipedia ou anda com post-its por perto como naquele filme do Christopher Nolan (O Cavaleiro do Memento, se me não falha tudo).
Mas, dizia, como pouco me permito a confiar na memória e na medida em que evito frequentar sites (como a wikipedia) por conselho do médico, estava de jurar que o Rui Barros foi o último avançado que o Porto vendeu a um clube de topo europeu (criança, a Juventus nos anos 80 era uma equipa de topo). Inúmeros avançados que nos encheram de alegrias e de dinheiro não lograram alcançar os píncaros da Europa: o Futre foi para o Atlético de Madrid, o Gomes foi para o Sporting de Gijon (lembrei-me desta sem usar a wikipedia, atenção), o Rui Águas foi para o Benfica, o Domingos foi para o Tenerife, o Sérgio Conceição foi para a Lazio, o Kostadinov foi para o Corunha, o Pena foi para o Braga, o Postiga foi para o Tottenha, o Yuran foi para o Spartak de Moscovo, o Drulovic foi para o Benfica, o Derlei foi para o Dínamo de Moscovo e nem o Jardel não foi mais longe que o Galatasaray.
Dir-me-ão que estou mirabolante, que o Deco foi para o Barcelona e que o Anderson para o Manchester. É nessa altura que eu vos lembro da diferença conceptual entre médio ofensivo e avançado, aliás uma diferença bem mais definida do que aquela que separa o médio ala do extremo, ou a heterotopia do Coimbra Fórum. Mais: as posições que os dois desempenharam nos clube de destino são claros indicadores que eles sequer foram comprados para aparecer muito na área adversária: o Anderson encaixou naquela posição do duplo pivot onde militam Hargreaves, scholes, Fletcher ou Carrick (na luta de classes estariam do lado dos bons); o Deco foi servir de ajudante ao Ronaldinho. E escusam de me vir com o Quaresma: na altura em que foi vendido a última vez que o Inter tinha ganho a Champions ainda o Heidegger tinha uma vida sexual moderadamente activa com a Hannah Arendt.
Portanto, se tudo correr mal, o Hulk será o primeiro avançado em muito tempo que o Porto vende a um clube de topo europeu; se tudo correr mal, ficará no Dragão até o ocaso da velocidade o converter numa estátua. Naturalmente, desejo o pior.
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Jornada 7
Em 1835 ficou célebre o o “caso Pierre Rivière”. Pierre, chamemos-lhe assim, era na altura um jovem de 20 anos que ficou conhecido por ser um pouco nervoso, tanto assim que certa tarde, porventura chateado com as previsões meteorológicas para o fim-de-semana, degolou a mãe grávida, a irmã e o irmão. Pierre viria a tornar-se muito famoso, universalmente odiado, tema de acesas polémicas e um estudo de caso para reflexões sobre a condição humana, sobre a moral e sobre os limites do poder disciplinador da modernidade. Vivemos em tempos diferentes, ao mesmo tempo que os media podem ajudar à popularização de um homem odiável, tantos são os homens odiáveis publicitados que acabamos por não conseguir odiar ninguém com a dedicação com que Pierre foi mimado.
Se quiséssemos encontrar uma personagem à altura de Pierre Rivière em grau de infâmia – a fama dos maus - teríamos que lembrar, talvez, alguém como Olegário Benquerença. (...) Ler Mais
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A blogosfera que ainda nos comove
"patética deriva do latim pattetiaus ou algo que o valha e significa, hoje em dia, comovente. é desta palavra que deriva a inglesa pathetic, por exemplo. por outro lado, pateta deriva do espanhol... e em português significa o que todos sabemos. a carreira do pena é pateta, mas não patética, na minha opinião." Comentário do Daniel, na Liga Aleixo
Patético:
1. Que move os afectos!.
2. Que incita as paixões.
3. Tocante.
s. m.
4. O que comove, o que fala ao coração.
5. Sentimento.
6. Arte de comover.
P.S. Descobri hoje que me andava a armar em bom sempre que dizia ao espelho "Bruno és tão patético". Disclaimer: afinal sou só pateta.
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Jornada 6
(...) Causa-me sempre tremendo assombro quando vejo as parangonas dos jornais a celebrar um jogador que marca na estreia. Tal assombro deve-se, em parte, ao facto de eu não ter tido muito feliz sempre que tentei fazer algo de marcante na estreia, mas, enfim, deixemos de falar da minha vida que já passou muito tempo e, às tantas, com a minha cara sempre a mudar e o cabelo a cair, um dia a rapariga de Serviço Social vai deixar de me apontar na rua, para gáudio das amigas, só pelo capricho de publicitar a pior estreia de sempre desde que Renteria se estreou a jogar no Estádio da Luz (...) Publicado na Liga Aleixo
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Jornada 5
Fico sempre um tanto arreliado quando um jogo me obriga a cancelar a aula de Salsa de Segunda-feira à noite. Se é verdade que não resisto às viagens de Hulk à Choupana, também é evidente que ninguém pode pensar fazer vida na América Central sem o domínio de um outro passo de Salsa, facto mais grave para uma pessoa que alimenta legítimas expectativas de ir morrer a Bogotá. No entanto, antes de deixar os meus ossos naquela terra afeita tão à mortandade, gostaria de ir beber um copo ao alpendre do Falcão, perorar longamente sobra a vitória do Porto na Liga Europa em 2011 e, no fim, receber nos braços a filha dele, na altura um mulheraço (com a tatuagem do Hulk estampada no braço) incapaz de negar a última Salsa a um velhadas que viu todos os jogos do pai.
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Jornada 4
"(...) Agora que a memória do Benfica transacto se esbate sob as agruras do presente, e após os desperdício da Liga Europa por Jesus, fica a sensação de que nem o excelente futebol nem a disputa do campeonato até à última jornada serão suficientes para fixar o Benfica 2009/2010 na história. Faltou aquele jogo mágico num mundo em que o disco duro do adepto de futebol se compraz com filmes de 90 minutos. Para bem da posteridade, Villas-Boas já tem no bolso um dos jogos da década acontecidos em solo indígena, agora só precisa de ser campeão."
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Jornada 3
Consta que há aí um realizador de cinema que acha que o Porto joga melhor sem Hulk. Antes de o atento leitor se permitir sequer a ponderar na bondade de um sistema táctico organizado para um colectivo solidário em detrimento de Hulk, um criativo indisciplinado cuja noção de passe é passar por adversários, cabe lembrar que o dito realizador considera Jorge Jesus melhor treinador do que José Mourinho.
O que se passa não é tanto a incapacidade do dito realizador para emitir juízos sobre o futebol – ou sobre tudo o que se passe num raio de 5 quilómetros de um estádio de futebol -, a coisa é mais apetecível: sempre que o dito realizador se põe a dar palpites a realidade decide escarnecê-lo. Se quisermos ser místicos isto já chegou a um ponto em que é lícito supor que o dito realizador mexa com a realidade a partir do momento em que esta - a realidade – definiu como divertimento supremo gozar com os bitaites do dito realizador. Senão vejamos: o dito realizador diz que Jesus é melhor que Mourinho e pouco tempo depois Mourinho volta a ganhar uma Champions (já agora Mourinho ganhou uma Taça Uefa na sua primeira época completa num grande, Jorge Jesus conseguiu desbaratar a Liga Europa com o Liverpool mais risível da última década). Continua. Na passada semana o dito realizador fez uma sentida elegia ao futebol do Matías Fernández, poucos dias depois, no jogo contra o Brondby, o chileno viria protagonizar uma das jogadas mais patéticas já acontecidas desde que os hominídeos assumiram a posição bípede: 4 jogadores do Sporting caminham para a baliza do Brondby só com um defesa nas redondezas, Matias conduz a bola. Suspense. O que faz o bom do Matias com 3 colegas ao lado? Aposta na sua extrema velocidade (pausa para gargalhada) e oferece um espectáculo na primeira fila os 3 colegas; uns privilegiados que tiveram oportunidade de assistir atónitos ao desamparo de Matias perante o defesa dinamarquês que tranquilamente lhe roubou a bola depois de lhe ter ganho 3 metros em duas passadas. No mesmo programa o dito realizador chamou a atenção para o modo como o Porto vinha passando bem sem Hulk. Acto contínuo: Hulk regressa e faz 5 golos em 2 jogos.
O jogo deste fim-de-semana contra o Rio Ave pode ser entendido como um manguito da realidade à leitura de jogo do realizador. Não que ele, em abstracto, não possa ter razão, a questão é que no concreto ele tem pé frio: de cada vez que proclama uma ideia só relativamente absurda ela tende a tornar-se patética no espaço de poucos dias. Pode ser que o dito realizador esteja fadado a ter razão antes do tempo: um dia todos concordaremos que Jesus é melhor que Mourinho, que Matías Fernández é um futebolista colossal, que Hulk não tem compleição emocional para jogos colectivos. Por agora só podemos concluir que o dito realizador está fadado para ter razão fora do tempo e do espaço, o espaço-tempo onde as pessoas vivem e o futebol acontece. Não deixa de ser irónico que alguém com nome de desenho animado – Hulk - consiga mostrar de forma tão ostensiva a uma pessoa com nome de gente - António-Pedro Vasconcelos - que é a este último que a realidade insiste em não levar a sério.
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Jornada 2
Tudo isto para dizer que o meu interesse no caso Roberto se dirige à defesa do homem (já que em relação ao guarda-redes, aparentemente, há muito pouco a fazer). O facto trágico é que os guarda-redes estão sujeitos a níveis de amesquinhamento mil vezes superiores àqueles que recaem sobre um jogador de campo, mesmo que este se chame Palermo e falhe três penalties num só jogo. Mais: os guarda-redes vivem na iminência de que um erro ou que uma infelicidade cénica os marque com a culpa do golo e com o estigma de frangueiro. É pois natural que estejam mais vulneráveis a crises de confiança com origem nas bancadas (ou nas capas do nossos diários).
Sinceramente, não sei se a crise de Roberto tem a ver com a bola de neve de criada pelo começo aziago na pré-época, se com a responsabilidade imposta pelo preço por que que foi comprado, se com deficiências técnicas na sua formação (dá a ideia de ser um guarda-redes à moda antiga, bom entre os postes, uma tarântula fora deles). O que eu sei é que Roberto não deve dormir bem há um mês e que a sua eventual incompetência não cessa de fazer a abertura dos telejornais e as delícias do Correio da Manhã. Mas desse flagelo ninguém fala; como dizia o Chico Buarque, “a dor da gente, não sai nos jornais”.
Uma nota final para Beluschi. Como eu sempre suspeitei, um mau corte de cabelo é conciliável com uma carreira ao mais alto nível.
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Jornada 1 - FC Porto
Não queria deixar de usar o espaço conferido por esta crónica para enviar um alerta ao Salin, o guarda-redes da Naval. Como terão reparado, Salin mostrou-se muito frustrado por quase ter defendido o penálti marcado por Hulk. O que Salin não percebeu é que se aquela bola o apanha poderíamos estar aqui a lamentar a vida de um guarda-redes francês furado por uma jabulani na Figueira da Foz. Caro Salin, abandonar a baliza ou fugir pode não ficar não muito bem na fotografia, mas em situações como a de sábado pode fazer-lhe muito bem à saúde.
Vamos às perguntas difíceis: é deprimente ganhar um jogo com um penálti estúpido a poucos minutos do fim? Diria que sim. Ou melhor, diria que é assim para o agridoce (mais para doce do que acre, afinal ganhámos). Mas ressalvem-se dois factos que apesar de tudo me vão apaziguar as insónias. Primeiro, existiu de facto falta no penálti cometido por Jonathas, defesa da Naval a quem endereço o meu obrigado (e um convite para comer sardinha à discrição no restaurante do Núcleo Sportinguista da Figueira da Foz). Jonathas não cortou nenhum lance perigoso, facto, e, nesse sentido, até podemos dizer que prejudicou manifestamente a Naval. No fundo, sem outra intenção que não o seu próprio vexame, Jonathas não terá resistido a aproximar o braço de uma bola que lhe passou a roçar as costelas flutuantes (é uma zona muito erógena no que a jabulanis diz respeito). A outra notícia tranquilizadora é que ganhei 5 euros numa aposta combinada entre a vitória do Porto e a vitória do Paços de Ferreira.
Apesar do jogo menos bem conseguido do Porto, são de registar alguns detalhes que creio animadores na prefiguração desta época:
- Nas bolas paradas ofensivas notou-se trabalho de casa e, finalmente, surgem outras soluções nos livres indirectos que não as bolas (mal) bombeadas para o Bruno Alves (solução única na época de Jesualdo);
- Quando meteu Guarin, Villas-Boas passou do 4-3-3 a um 4-4-2. Mais do que a opção ter resultado para e jogo com a Naval, é de ressaltar a franca mais-valia na existência de dois sistemas suficientemente estudados ao ponto de poderem ser alternados no mesmo jogo (a ausência de extremos que obrigou Jesualdo a jogar em 4-4-2 no final da época passada transformou-se numa prenda que Villas-boas, inteligentemente, parece ter sabido receber).
- O Rolando sem o Bruno Alves está-se a fazer um homenzinho. De uma forma perversa a dupla com o Bruno Alves prejudicou a progressão de Rolando enquanto o central atleticamente impositivo que era no Belenenses. Ao lado de uma besta chamada Bruno Alves, Rolando adoptou uma postura de low profile que de algum modo mitigou o seu lado de central musculado. Acontece o mesmo ao Bruno Alves com na selecção, onde este se acanha perante a melhor capacidade de antecipação do Ricardo Carvalho, e acontece em muitas relações amorosas em que um dos consortes se apaga quando começa a namorar, tornando-se naquilo que, no caso de ser homem, usualmente se designa por coninhas. Pois bem, tudo leva a crer que Rolando deixou de ser um coninhas.
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