Não me custa a admitir: Reza Aslan arrebata mais quando escreve sobre o Cristianismo. Ao escrever sobre o Islão, sem que perca argúcia crítica, ocupa-se, porventura em excesso, a devastar o imenso manto de generalizações e preconceitos que grassam em torno da figura do muçulmano. Essa energia faz-lhe falta para a ousadia narrativa, plena de golpes de asa e primores romanescos, que lhe lemos em "Zealot: The Life and Times of Jesus of Nazareth." Ainda assim, "No god but God" é um texto delicioso para quem se dispõe a conhecer as origens e as correntes contemporâneas da religião fundada por Muhammad/Maomé.

Fabuloso ressentimento

Com o tempo (séculos?...) é possível que o ex-colonizado possa integrar, como «felix culpa», aquilo mesmo que o traumatizou, mas é absurdo e contraproducente supor que a estrutura de ressentimento por ele criada se desfaça da noite colonial para o dia africano. Essa será a história própria e imprevisível do ex-colonizado. A nossa, de ex-colonizadores que não conseguem, no fundo, admitir que o tivessem sido nos termos em que os colonizados no-lo propõem, é a de compreender que o fabuloso ressentimento, de que fomos causadores como povo, é uma ferida de longa supuração, para a qual e por longo tempo, só nós, em particular, não temos bálsamo, pois é de nós que estão feridos. 
«Requiem» por um império que nunca existiu», texto escrito em 1974, em:

Lourenço, Eduardo (2014), Do colonialismo como nosso impensado. Organização e prefácio de Margarida Calafate Ribeiro e Roberto Vecchi. Lisboa: Gradiva.



Musical tépido

Escolher a música certa antes de entrar no banho implica uma premeditação que jamais adivinha as contemplações e murmúrios a que a água de cada dia nos dispõe. Num certo sentido, é uma dificuldade ligada à evidência de que nunca nos banhamos na mesma temperatura (por mais que tentemos o justo acerto das torneiras com o vagar de um relojoeiro despido no frio das lajes).

Uma perninha no TEDx? Pois não

Não sendo um particular adepto do modelo TEDx, achei por bem não renunciar quando o convite me chegou ao correio. Acho que somos assim com muitas coisas que envolvem convites. Foi lá para os 25 de Outubro e, devo confessar, como espectador, passei um dia bem agradável (sou um fácil). Quanto à parte que me calhou, olhem, saiu isto: