Cover

Veraneando aquele bastante, reparo num inédito rigor cénico no modo como, por estes dias, as pessoas tiram fotos nos espaços públicos. Namorados convertidos em fotógrafos/as semi-profissionais captando poses decalcadas de uma Adriana Lima (ou de um David Beckham), selfies repetidos à exaustão, cervejas fotografadas antes de estreadas, etc.

Nada de novo neste ímpeto memorialista: as fotografias fixam momentos e as possibilidades de arquivo foram inflacionadas pelo advento digital. O que é novo é exactamente o arquivo: não mais o álbum de família, mas a timeline do facebook ou, em caso de manifesto sucesso, a capa ou a fotografia de perfil. O arquivo em mente muda o processo: a posteridade não se passa num tempo abstracto, a posteridade é um upload logo à noite.

Não me interpretem mal, se eu mandasse o nu seria uma requisito para entrada no facebook (um selfie nu com uma geladinha no sítio certo).

La Jalousie



 La Jalousie/Ciúme, 2013, Philippe Garrel

O encanto de uma intimidade esmagada contra os espaços exíguos dos dias cansados, esse, está lá todo. Mas falta ali a aparição de um amor convincente, minimamente capaz de justificar a obsessão (mais o desamparo) que, assim do nada, vem em socorro do título do filme. Pode ser que às vezes seja mesmo assim, sem aviso, sem que nada o justifique.


Rúben Neves



Temos de ter cuidado para não fazer ao Rúben Neves o que os sportinguistas fizeram ao William Carvalho. Não é preciso conhecer os malefícios do ultra-romantismo para saber que a euforia rouba margem a qualquer promessa, aniquilando-a enquanto possibilidade ungida nos seus próprios termos. Dito isto, qualquer portista saído da maternidade nos dias que correm não terá em que hesitar; o nome do filho será Rúben Neves, pois claro.