Banco de trás

Muito por alusão aos rituais iniciáticos da adolescência americana, a designação "banco de trás" ficou conotada com o encontro sexual furtivo: o "banco de trás" é sobretudo o lugar dos "amassos". No entanto, do ponto de vista da iconografia cinematográfica é um lugar nobre: de grandes dúvidas, de revelações e de equívocos próprios dos amores maduros. O que ali se representa são amores mais majestáticos, porque impróprios para gente amassada.

Breakfast at Tiffany's (1961)

Written on the Wind (1956)

In the Mood for Love (2000)






Jeune & Jolie



Pode-se dizer que 'Jeune & jolie' (François Ozon, 2013) pouco mais é do que uma síntese (sem particular rasgo) de 'À nos amours' (Maurice Pialat, 1983) com 'Belle de Jour' (Luis Buñuel, 1967).

 A crítica ao tédio num certo 'modo burguês de funcionar' junta-se ao fascínio pelos usos subversivos de uma sexualidade subalterna, assim se compondo um improvável feiticismo, obsessivamente explorado pelo cinema francês (pela força dos precursores, queremos supor - Catherine Deneuve, pois claro).

Conchita Wurst













Quem deplora a notoriedade de Conchita Wurst, alegando um retorno aos freak shows, estabelece tortuoso paralelo mal disfarçando homofobia ou - na melhor das hipóteses - conservadorismo estético. 'Freak' é uma cultura capaz de lacerar a diferença por acreditar tão completamente nos binómios constitutivos de identidades discretas: os binómios que nos dizem que roupa vestir e que pêlo rapar. Conchita tem barba, mas também tem uma ideia política acerca do antiquíssimo circo do preconceitos que sempre se amontoa à volta do espectáculo da diferença

Uma imensa vitória semântica: "Saída Limpa"

Cada vez que dizemos "saída limpa" para renunciar à ideologia que a baptizou, ajoelhamos perante uma imagem de barro húmido. Quem denúncia o triunfalismo da "saída limpa" capitula perante a linguagem que define os termos do que é criticável. A popularização do nome da coisa como "saída limpa" é, reconheçamos, uma imensa vitória simbólica dos poderes neoliberais e dos média que os servem (entre eles - contra mim falo - as redes sociais dobradas à hegemonia acabada de inventar).

Sob o épico da recuperação de soberania estatal seguirá o suplício dos esmagados por um estado servil, agora camuflado por miríficos triunfos económicos e por feitos semânticos realmente assombrosos.

The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism




The idea that market crashes can act as catalysts for revolutionary change has a long history on the far left, most notably in the Bolshevik theory that hyperinflation, by destroying the value of money, takes the masses one step closer to the destruction of capitalism itself. This theory explains why a certain breed of sectarian leftist is forever calculating the exact conditions under which capitalism will reach “the crisis,” much as evangelical Christians calibrate signs of the coming Rapture. In the mid-eighties, this Communist idea began to experience a powerful revival, picked up by Chicago School economists who argued that just as market crashes could precipitate left-wing revolutions, so too could they be used to spark right-wing counterrevolutions, a theory that became known as “the crisis hypothesis.”