As coisas como são

Um pouco de fatalismo às vezes aconchega, traz quietude, enternece, amiúda quereres transidos de raiva; nada contra: as coisas que são como são ficam mais assim quando alguém diz "as coisas são como são". Mas logo vem um tempo em que a quietude, cansada da férrea guarida da desesperança, pode achar novo acerto: que o insuportável não é tanto, que o insuperável talvez menos seja, que coisas estão menos como eram. Que sim, que há leis que ditam irremediáveis, obscenos cataclismos gizados por um qualquer transcendente, que sim, que há fins que não dilaceram mais. Que sim, que há fins equívocos, prematuramente consentidos por um imprevidente desejo de aconchego (uma das formas mais comuns do obsceno transcendente).



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