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Veraneando aquele bastante, reparo num inédito rigor cénico no modo como, por estes dias, as pessoas tiram fotos nos espaços públicos. Namorados convertidos em fotógrafos/as semi-profissionais captando poses decalcadas de uma Adriana Lima (ou de um David Beckham), selfies repetidos à exaustão, cervejas fotografadas antes de estreadas, etc.

Nada de novo neste ímpeto memorialista: as fotografias fixam momentos e as possibilidades de arquivo foram inflacionadas pelo advento digital. O que é novo é exactamente o arquivo: não mais o álbum de família, mas a timeline do facebook ou, em caso de manifesto sucesso, a capa ou a fotografia de perfil. O arquivo em mente muda o processo: a posteridade não se passa num tempo abstracto, a posteridade é um upload logo à noite.

Não me interpretem mal, se eu mandasse o nu seria uma requisito para entrada no facebook (um selfie nu com uma geladinha no sítio certo).



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