Benfica: 3 Porto: 1

Para todos os benfiquistas que um dia renegaram Jorge Jesus, o galo cantará 3 vezes. Conheço casos.

Ontem tive dificuldade em adormecer por causa da derrota do Porto. É apenas um jogo, digo-me, para mais numa época em que, à boleia de uma passagem pelas índias orientais, consegui anestesiar a sensibilidade histriónica aos destinos da bola (lá era mais cricket). O futebol não é a minha vida nem me merece dores que sei espúrias.

Mas não tem de haver simetria. A tristeza não nos merece mas a alegria justifica-nos. No futebol há que ser oportunista: cínico com a dor, sincero na euforia. Como limpasse custosamente a dor e não tivesse por onde a euforia, lembrei-me da alegria merecida por Jorge Jesus. Os benfiquistas que depois da tragédia da época passada o quiseram ver pelas costas, souberam ser cínicos e hoje sabem ser eufóricos. É futebol, nada contra. Mas apesar de tudo, a sinceridade dorida permite uma euforia sem cinismo, sem o eco do galo que cantará três vezes. E essa alegria pertence, quase exclusivamente, ao homem que o ano passado, sozinho, caiu de joelhos. Abracei-me à almofada e adormeceu-me a convicção que Luís Castro é o meu treinador não obstante o cumular de fracassos (não o diria de Paulo Fonseca). Confortou-me saber que na euforia do ano passado uma dor me atravessou: a empatia com a desgraça de Jesus (fica aí link com post de prova). Mas aparentemente a euforia não se merece, vive-se. Pouco importa o cinismo, dirão. É futebol.



<< Home