Emily Blunt

Ver todos filmes em que entra a Emily Blunt apenas porque a Emily Blunt entra é, como no passado se comprovou, um princípio operacional em tudo duvidoso. Mas às vezes ser perseverante - ou vicioso - compensa.

 'Your Sister's Sister' (2011) é uma estimável surpresa.

 

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Jorge Jesus de joelhos



 A imagem de Jorge Jesus de joelhos, transmitida em directo pela Sporttv, foi demasiado pungente, mesmo para quem lhe criticou a soberba de outras épocas. Por isso, para mim, nenhuma justiça poética se entreviu naquele momento. A justiça que se cumpre com excesso deixa de o ser e, de alguma forma, sinto sinceramente que Jesus não merecia aquilo (não com tamanho dramatismo). Jesus viu partir Witsel, Javi Garcia, Bruno César, Nolito. Potenciou Matic, Enzo Perez, Lima, Melgarejo. Esteve todo o início de época sem Luisão. Ficou sem Champions porque o Barcelona se lembrou de ir perder a Glasgow. Manteve-se em 3 frentes até ao fim, chamando noviços ao 11 (André Almeida, André Gomes, Urreta, Roderik, Luisinho). Trouxe o balneário unido mesmo com o muito banco dos consagrados (Carlos Martins, Aimar, Cardozo). Não posso desejar que o Porto falhe na última jornada, não posso sonegar o quanto festejei aquele golo no último minuto. Mas, mais do que nunca, desejo sinceramente que Benfica ganhe ao Chelsea. Quanto a Jesus, se o Benfica cometer o erro de não renovar, não me surpreende que um grande da Europa o venha buscar. Pode não falar línguas, mas de futebol espectáculo entende ele.

Queima das Fitas de Coimbra

O repúdio com que os ex-estudantes olham para a festas académicas não é separável de uma nostalgia mal resolvida. Nenhuma crítica social, nenhuma distância cautelar em relação as massas alienadas, subsume inteiramente a saudade de um tempo que, certa ou erradamente, se confunde com a juventude (Sweet Bird of Youth, pois). Renegar tão completamente a juvenília é o erro infantil da idade que se julga adulta.



Da mundanidade bíblica

George Steiner, 'Um Prefácio à Bíblia Hebraica', Paixão Intacta (1996)
'O Antigo Testamento e o Novo são acumulações de mitos, fábulas, lendas, códigos legislativos, tratados morais, escritos eróticos, litúrgicos e rituais, crónicas históricas com intentos políticos e sagas tipológicas alinhavadas umas às outras, mais ou menos contingentemente, no decurso de longos séculos em cenários sócio-étnicos completamente diferentes e por uma multidão de mãos. Essa montagem abunda em disparates, autocontradições, barbaridades arcaicas, repetições, desigualdades de talento discursivo-espiritual, de molde a tomar a mera noção de autoria divina e de harmonia completamente ridículas. Homens e mulheres — alguns, sem dúvida, de rara visão moral e habilidade literária — produziram estes textos diversos de maneiras perfeitamente natural e, por consequência, inteiramente comparáveis com os de outros grandes pensadores, poetas, historiadores e legisladores, em numerosas culturas e épocas. Podemos estar a olhar para material cuja data e proveniência permanecem sem solução. Mas trata-se de material mundano, no sentido exacto da palavra. E inteiramente do nosso mundo, e da nossa imaginação e composição.'
Passagem prodigiosa de Steiner sobre a Bíblia. O reconhecimento da mundanidade da Bíblia (ou de outros livros sagrados) não carrega o ímpeto de desqualificação da fé, mas da arbitrariedade dos poderes erigidos sobre a 'palavra de Deus'.