Emily

"As minhas grandes desventuras neste mundo têm sido as desventuras do Heathcliff, e eu vi-as e senti-as desde o princípio: nele reside o meu maior apego a existência. Se tudo perecesse e ele continuasse, eu também continuaria a existir; se tudo permanecesse e ele fosse aniquilado, o universo tornar-se-ia para mim um mundo estranho, de que eu pareceria não fazer parte. O meu amor ao Linton assemelha-se a folhagem dos bosques: o tempo o transformará, bem o pressinto, como o Inverno transforma as árvores. 0 meu amor ao Heathcliff lembra os penhascos eternos que a terra cobre: uma fonte de delícias, quase invisível mas essencial. Nelly, eu sou Heathcliff!"

 

Mais um argentino na Europa às ordens de Jesus.

Unigénita

Há pessoas muito interessantes na vida real, mas que, no fundo, não têm perfil no facebook.

D. Umberto



D. Umberto (1952) conta-nos a história de um reformado subitamente atirado para a miséria após uma drástica redução do valor da sua pensão (instrutivamente, o filme começa com uma carga policial sobre uma manifestação de reformados). Despejado, humilhado, D. Umberto deambula, hesitando  suicidar-se por não saber o que será de Flick, seu cão e companheiro de velhice.

Parece que Filipe Pinhal (terá visto reduzida a sua reforma para 14 mil euros) encabeça um movimento de reformados indignados, seguindo a linha antes trilhada por Aníbal Silva, o reformado presidencial que mal tem para as suas despesas. Sem vergonha, falam espezinhando olimpicamente o destino de tantos reformados que por excesso de vergonha jamais falarão da miséria em que caíram. Que saiam de casa ou dos seus palácios, que vejam o D. Umberto, que colham a sensibilidade social onde melhor a acharem. Mas que vão gozar com outros.

Varane

Não é fácil explicar às pessoas, contra quaisquer pretensões à posteridade, que o momento do jogo teve como protagonista a capacidade deslizante de Varane (para que percebam, a realização chegou ao cúmulo de repetir mais vezes o golo do Modric do que o carrinho do Varane, um escândalo muito superior à expulsão do Nani). Por muito que eu admire "pontapés em arco fora da área chutados por croatas acabados de entrar," é em detalhes como este que a minha comoção se demora. Felizmente -- doutra forma seríamos obsessivamente monotemáticos -- a 'posteridade' pouco tem a ver com que nos fica. Sempre dá para arejar.