Pemba, Moçambique.

Maputo-Pemba-Mueda-Nangade

No Planalto dos Macondes sobrevivi às latrinas (tentei evitá-las com uma terapêutica não medicinal de imodium, mas a farinha de milho lá impôs as suas regras), sobrevivi a arritmias trazidas por cada curva de uma estrada infinda (de um lado Fangio, do outro um cinto encravado, lá atrás - quais espectros - dois capotanços no meu cv), sobrevivi às noites de bater o dente com um casaco de primavera da HM vestido (a posição fetal é a que mais aquece, mas desgraçadamente aleija-me nos ombros), sobrevivi ao susto de um gravador esquecido em Pemba idas já idas 4 horas de caminho (conhecendo-me vago e despassarado viajo sempre com 2 gravadores, mas não me livrei da agonia de uma fé monoteísta na coisa-máquina). Sobrevivi, enfim, à água de côco em Pemba (a água de côco como toda a gente sabe é a cicuta dos fins inglórios). Apesar de muitíssimo bem-tratado (os limites da hospitalidade razoável, da generosidade de estranhos, you name it, foram largamente violentados pelos meus anfitriões em cabo Delgado), meio maltrapilho, é certo que piso Maputo ligeiramente enrijecido. Mas sejamos claros, (como alguém sagazmente adivinhava) isto não quer dizer que eu já esteja preparado arriscar para um Festival de Verão.
 

Coimbra, San Francisco







'Play It Again, Sam' (1972)

Memento Mori

Socializados que estamos nas finitudes parciais, encaramos o apocalipse com tranquilidade. Escala da inteligibilidade. Mais do que tudo, tememos que o fim de tudo se interponha numas quantas histórias por fechar. A soma de todos os fins não nos diz muito