Maputo-Pemba-Mueda-Nangade

No Planalto dos Macondes sobrevivi às latrinas (tentei evitá-las com uma terapêutica não medicinal de imodium, mas a farinha de milho lá impôs as suas regras), sobrevivi a arritmias trazidas por cada curva de uma estrada infinda (de um lado Fangio, do outro um cinto encravado, lá atrás - quais espectros - dois capotanços no meu cv), sobrevivi às noites de bater o dente com um casaco de primavera da HM vestido (a posição fetal é a que mais aquece, mas desgraçadamente aleija-me nos ombros), sobrevivi ao susto de um gravador esquecido em Pemba idas já idas 4 horas de caminho (conhecendo-me vago e despassarado viajo sempre com 2 gravadores, mas não me livrei da agonia de uma fé monoteísta na coisa-máquina). Sobrevivi, enfim, à água de côco em Pemba (a água de côco como toda a gente sabe é a cicuta dos fins inglórios). Apesar de muitíssimo bem-tratado (os limites da hospitalidade razoável, da generosidade de estranhos, you name it, foram largamente violentados pelos meus anfitriões em cabo Delgado), meio maltrapilho, é certo que piso Maputo ligeiramente enrijecido. Mas sejamos claros, (como alguém sagazmente adivinhava) isto não quer dizer que eu já esteja preparado arriscar para um Festival de Verão.
 



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