Liga Europa

Publicado na Liga Aleixo



Quando Mourinho substitui Octávio Machado no cargo de treinador do Porto para, duas taças europeias depois, passar o testemunho a Del Neri, tivemos que nos resignar a acreditar no papel salvífico do Special One.

Que teria sido impossível uma equipa portuguesa chegar a uma final sem o seu génio, que teria sido impossível marcar golos com o Postiga em campo, que teria sido impossível tirar quilos ao Nuno Valente. Acreditámos no homem providencial, aquele sem o qual estaríamos condenados a viver contra Viena, contra uma única lembrança, contra aquela noite parada (pausa para arrepio). Julgávamos ter ficado a dever a Mourinho o absurdo de ripostar aos rigores da economia, aquela que condenou os países periféricos a exportar os seus melhores aos 18, a aceitar o regresso de jogadores em pré-reforma, a arriscar pontes aéreas com empresários da América latina.

Sendo de ressalvar que uma Liga Europa não é uma Champions, a presença de duas equipas portugueses numa final europeia 7 anos depois de Gelsenkirchen é um sério aviso à tentação deificante, por muito que devamos incensar Pinto da Costa, Villas-Boas ou Falcão. Na minha opinião devíamos estar mais ocupados em agradecer as muitas variáveis que nos concederam a graça do Portismo: ancestralidade familiar no Norte, ausência de um pai castigador que nos tivesse massificado enquanto benfiquistas, sensibilidade lírica para golos de calcanhar, tenacidade perante o desastre, resistência ao exílio, uma adolescência passada com o Poster do Fernando Couto no quarto, amor aos clássicos. Não sei a que sortilégio agradecer a filiação na causa portista, sei que “ao destino agradam as repetições, as variantes, as simetrias”, não vou dizer que para o ano ganhamos Champions, mas (como dizia o semi-deus) penso.

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Comments:
Muito, muito bem. :)))
 
oh yeah!
 
Muito bom!
Saudações portistas.
 

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