O mal dos outros

Publicado na Liga Aleixo

 

Virada que foi a vaga aflição trazida pelo confronto com a Académica, e enquanto não é a hora de festejarmos o campeonato no túnel da luz, o portista carente de emoções futebolísticas não tem outro remédio senão virar-se para as eleições do Sporting (eu sei, eu sei). Há muito que aquele clube não conseguia cativar os meios de comunicação social além das rádios regionais e das tardes em que a redacção da “Bola Branca” se apanha com falta de assunto e, acto contínuo, telefona ao filho de um dos 5 violinos para um pizzicato de nostalgia.

 

Enquanto José Eduardo Bettencourt faz repousar todas as suas possibilidades de redenção na hipótese de Sinama Pongolle mostrar no Saragoça que afinal não é inferior ao Rodrigo Tiui, os 5 candidatos do Sporting fazem repousar todas as hipóteses de prosperidade futura em mostrar que não são tão maus como Godinho Lopes. Godinho Lopes é o que tem mostrado mais dificuldade em distanciar-se da sua existência enquanto pessoa anódina: as tentativas de produzir um camuflado com Luís Duque, Carlos Freitas e Domingos embatem com gravidade no brilho da sua insignificância. Ainda assim o mais surpreendente é a dificuldade dos outros candidatos para serem incrivelmente melhores do que Godinho Lopes: não são.

 

Dias Ferreira nesta contenda tem momentos em que parece ser uma pessoa a quem poderíamos entregar o cão para que o passeasse uns 15 minutos, não é: o mais acertado será levar o cão directamente para o matadouro municipal. Abrantes Mendes, irmão gémeo de Defensor de Moura em quem votei nas últimas eleições, conseguiu ganhar um debate; por deus quando um homem daqueles ganha um debate a hipótese de entregar o Sporting a um ditador sul-americano dos anos 70 na reforma deve ser seriamente ponderada. A bitola posta nestas eleições cria a ilusão que Pedro Baltazar é um pouco melhor que o rei Jorge VI recentemente representado por Colin Firth, não é. Enquanto o rei Jorge VI se entaramelava porque o aparelho vocal tinha dificuldade em acompanhar o tempo discursivo do seu pensamento, Pedro Baltazar (um homem bonito que passou ao lado de uma carreira como modelo de relógios caros) desacelera a fala para que lentidão do seu pensamento tenha uma qualquer banda sonora.

 

Já Bruno de Carvalho no meio daquela salsa parece ser o Martin Luther King dos tempos modernos, não é. Além de uma boa voz e de uma assertividade que parece fazer medo aos demais contendentes, em condições normais Bruno de Carvalho teria poucas hipóteses de ganhar as eleições da União de Coimbra nem que o Mandatário fosse o Abramovich (de notal que a União de Coimbra, tal como o Sporting, há anos que não tem futebol sénior). Mas nada disto é normal e o Sportinguistas devem ter a inteligência de escolher o Martin Luther King de trazer por casa: uma voz grossa e uns russos com dinheiro a sobrar é mais do que qualquer um dos outros candidatos tem para oferecer.

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