Escolher as guerras

Nem todas as lutas que merecem a pena, mas há lutas que merecem a pena. Julgar da necessidade de uma intervenção militar exige critério, exige uma noção prospectiva da geografia do ressentimento, exige uma noção do quanto a mínima guerra perdura nas gerações deixando dolorosíssimas marcas. Há que saber e julgar a caso o que se perde por nada fazer, há que saber julgar a caso que perigos se correm no voluntarismo intervencionista. É um pouco mais complicado do que querer espalhar a democracia à bomba a la Bush, é um pouco mais complicado do que denunciar imperialismo em cada decisão de intervenção.

 

Podemos perguntar porque é que o mundo assistiu calado aos massacres de Gaza, podemos questionar dos interesses que sempre movem as potências beligerantes, podemos julgar a hipocrisia dos amigos de outrora. Mas erramos se julgamos que há sempre respostas prévias, erramos se julgamos os actos apenas por quem os pratica, erramos se julgamos ter todas as respostas nalguma cartilha. Por exemplo, Churchill, um renomado defensor do tirano império britânico, imperialista à antiga, escolheu uma guerra certa na sua determinação contra o III Reich. Exercitar a dúvida e procurar critério para além dos nossos preconceitos é uma exigência da razoabilidade não egoísta. Sobre a Líbia sinceramente não sei o suficiente para ter certezas, por agora parece que a ameaça da força  surtiu um efeito dissuasor.

 

Mas sei que Churchill tinha razão quando fez este discurso:

 

 "We shall fight on the beaches" (audio)


Comments:
Olhando para o filho, Kadafi já tinha sucessor... e o povo a sofrer há 42 anos.
 

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