2011
Entre os amigos César é conhecido como o Fábio Paim do amor.
2011
César hesita entre mudar de vida e mudar de bebida.
Avulsos
"Que terrível posição para chorar, pensou a Sr.ª Powers, colocando os braços à volta de Emmy."
Faulkner, A Recompensa do Soldado [Soldier's Pay]
Fábio Paim
Cristiano Ronaldo: "Se acham que eu sou bom, esperem até ver o Fábio Paim".
Aos 22 anos, Fábio Paim joga no Torreense.
Uma excelente reportagem da Sporttv.
Aos 22 anos, Fábio Paim joga no Torreense.
Uma excelente reportagem da Sporttv.
A vossa opinião conta
Votai. No entanto, convém avisar que já perdi amizades por diferenças menos sérias.
E assim
A repetitiva monotonia daquilo que pode ser dito a partir da experiência ora nos move para o arquivo, para a ficção, para o silêncio ou para a sofreguidão instrumental de novas vidas. A tardia opção pela serenidade que permite partilhar o arquivo, a ficção ou o silêncio logo instala a ansiosa sofreguidão de não perder a vida que temos. E assim ciclicamente.
Wild River, 1960
Wild River, 1960
Avulsos
Quando dizes "eu amo-te" apaixonas-te pela linguagem, que é já uma forma de pôr fim à relação e de ser infiel. Jean Baudrillard.
Poesia para totós (como eu)
Quando me perguntam por ti eu não respondo por mim.
Brunette
Ao contrário do que a filiação de nomes possa sugerir, a minha preferência por Brunettes nem sempre é correspondida.
"Haven’t you ever ridden on that street-car?"
Para os ouvidos menos habituados ao português do Brasil, a tradução de "A Steetcar Named Desire" para aquele país - "Um Bonde Chamado Desejo" - contém uma palavra (bonde) de ressonâncias excessivamente lúdicas para a graça poética que Tennessee Williams imprimiu no título original. Podemos dizer, contudo,que se salvam as virtudes metafóricas: é como se o transporte escarnecesse a dignidade apeada pelo caminho. "Um Bonde Chamado Desejo" traduz desejo por afectação com insensível contundência. Para os nossos ouvidos, claro está.
"It brought me here"
A voz
"Boa noite e boa sorte"
Publicado na Liga Aleixo

As pessoas no restaurante mexicano divertiram-se em explanações como quem visse um jogo de futebol. Não perceberam, porventura, o obsceno voyerismo montado pela Sporttv: a transmissão televisiva das deambulações existencialistas de Maicon.
O jogo entre e o Sporting e o Porto deverá partir de um de dois pressupostos: a) Maicon conhece os romancistas russos e vive as angústias de algumas das suas personagens através de um processo inconsciente de imitação; 2) os romancistas russos acoitaram com tal perspicácia os baixios e euforias da alma humana que se tornou possível assistirmos, em 6 de Dezembro de 2010, Lisboa, Estádio José Alvalade, à recapitulação daquilo que se passou com Rodion Romanovich Raskolnikov em São Petersburgo há bem mais de um século. Sem querer negligenciar o domínio da nova geração de centrais brasileiros da obra de Dovstoievski, estou francamente inclinado para a segunda hipótese.
Quando Valdés surge isolado perante Helton há um momento em que Maicon tem a opção de tentar tirar a bola em esforço ou de tentar dar uma panada no Valdés sem esforço nenhum. Talvez porque tivesse querido manter-se dentro do império da lei, Maicon limitou-se a dar um toque na bola que permitiu enquadrar o chileno perante a baliza melhor do que o próprio seria – e é – capaz de fazer. Sofrido o golo, ficou em Maicon a consciência de ter errado colossalmente sofrendo apenas o castigo de lhe pesar na consciência o golo que poderia valer a derrota ao Porto. Quando Falcão empatou Maicon sentiu enfim que estava em condições de desfazer a clássica disjunção moral: “pesa-me na consciência aquilo que a lei dos homens jamais conseguirá punir, e o peso na consciência não é senão o sentimento de uma insuportável impunidade”. Como o destino não lhe desse oportunidade, Liedson foi atraído ao engodo da pressão alta, ganhou a bola e Maicon pôde enfim matar em praça pública a velhinha que Raskolnikov guardou para a intimidade. Maicon saberá que o crime público tem a sanção pública suficiente para libertar as intimidades da uma flagelação que seria, assim, a todos os níveis, uma redundância disparatada. Virado que foi o Liedson, conseguida que foi a expulsão, Maicon pôde ir tomar banho com a noção de que a perda de titularidade para o Otamendi seria paga mais do que suficiente.
Se Maicon voltar a ser um central com futuro é porque cumpriu o seu tempo. Terá a cabeça limpa da espisteme da culpa e encontrará um ambiente favorável à redenção. Há que jogar com as ironias dos paradigmas culturais que pisamos: de Valdés para Liedson Maicon errou melhor porque socializou o erro de uma forma mais franca. Um central que dorme descansado a expensas da sua reputação só nos pode dar garantias de futuro.
As pessoas no restaurante mexicano divertiram-se em explanações como quem visse um jogo de futebol. Não perceberam, porventura, o obsceno voyerismo montado pela Sporttv: a transmissão televisiva das deambulações existencialistas de Maicon.
O jogo entre e o Sporting e o Porto deverá partir de um de dois pressupostos: a) Maicon conhece os romancistas russos e vive as angústias de algumas das suas personagens através de um processo inconsciente de imitação; 2) os romancistas russos acoitaram com tal perspicácia os baixios e euforias da alma humana que se tornou possível assistirmos, em 6 de Dezembro de 2010, Lisboa, Estádio José Alvalade, à recapitulação daquilo que se passou com Rodion Romanovich Raskolnikov em São Petersburgo há bem mais de um século. Sem querer negligenciar o domínio da nova geração de centrais brasileiros da obra de Dovstoievski, estou francamente inclinado para a segunda hipótese.
Quando Valdés surge isolado perante Helton há um momento em que Maicon tem a opção de tentar tirar a bola em esforço ou de tentar dar uma panada no Valdés sem esforço nenhum. Talvez porque tivesse querido manter-se dentro do império da lei, Maicon limitou-se a dar um toque na bola que permitiu enquadrar o chileno perante a baliza melhor do que o próprio seria – e é – capaz de fazer. Sofrido o golo, ficou em Maicon a consciência de ter errado colossalmente sofrendo apenas o castigo de lhe pesar na consciência o golo que poderia valer a derrota ao Porto. Quando Falcão empatou Maicon sentiu enfim que estava em condições de desfazer a clássica disjunção moral: “pesa-me na consciência aquilo que a lei dos homens jamais conseguirá punir, e o peso na consciência não é senão o sentimento de uma insuportável impunidade”. Como o destino não lhe desse oportunidade, Liedson foi atraído ao engodo da pressão alta, ganhou a bola e Maicon pôde enfim matar em praça pública a velhinha que Raskolnikov guardou para a intimidade. Maicon saberá que o crime público tem a sanção pública suficiente para libertar as intimidades da uma flagelação que seria, assim, a todos os níveis, uma redundância disparatada. Virado que foi o Liedson, conseguida que foi a expulsão, Maicon pôde ir tomar banho com a noção de que a perda de titularidade para o Otamendi seria paga mais do que suficiente.
Se Maicon voltar a ser um central com futuro é porque cumpriu o seu tempo. Terá a cabeça limpa da espisteme da culpa e encontrará um ambiente favorável à redenção. Há que jogar com as ironias dos paradigmas culturais que pisamos: de Valdés para Liedson Maicon errou melhor porque socializou o erro de uma forma mais franca. Um central que dorme descansado a expensas da sua reputação só nos pode dar garantias de futuro.
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