Obviously


Avulsos

"A disfuncionalidade geracional é denotada não apenas pelos diferentes tipos de fracassos e repressões a que pais e filhos são sujeitos, mas também (...) através das diferentes maneiras como pais e filhos pensam esses fracassos e repressões." Rogério Casanova, "Antes da Crise", ípsilon

Telavive

Hoje à noite distinguimos o barbas de um judeu ortodoxo pela cara de caso do primeiro.

Emily Blunt

        Emily Blunt - My Summer of Love, 2004

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I ain't crawling for no damn government





Wild River, 1960, Elia Kazan

Triste ironia que o mote no título do post tenha sido retirado da cinematografia de Elia Kazan. O passado, o seu passado, a velha história. Nada que me faça hesitar no tanto que lhe quero os filmes; admiro-os demasiado e dizem-me demasiado para que não sinta, também eu, a traição pelo largo espectro daquilo que dele ficou para a posteridade pública. Nalgum sentido preferia não saber: há tanto sacana recordado em mármores impolutas. Também não o teria aplaudido nos Oscars, mas homenageio-lhe a obra às escuras.

CIA e os Nazis

"Os serviços secretos norte-americanos serviram, depois da Segunda Guerra Mundial, de “abrigo” a nazis e a alemães que tinham colaborado com os Estados Unidos."

Teoria da conspiração ou não, vale a pena ver este documentário:

Parte 1/5



Parte 2/5; Parte 3/5; Parte 4/5; Parte 5/5.

Publicado no Arrastão.

Vertigo

Fazer a paz - ou  fazer as pazes, como se costuma dizer - é uma forma de revisitar a majestade inicial dos começos (aqui representada por um fotograma de Marty - 1955).


O vício dos inícios implica encenar fins que de instrumentais se transformam no cerne da paixão: a vertigem dos antigos pela morte do sol a cada solstício.

Regressam os comentários


Porque sim.

Avulsos

"I am trying to work in the direction of what one might call “eventalization.” What do I mean by this term? First of all, a breach of self-evidence. It means making visible a singularity at places where there is a temptation to invoke a historical constant, an immediate anthropological trait, or an obviousness that imposes itself uniformly on all. I. To show that things “weren’t as necessary as all that”. Michel Foucault

Avulsos

"Hoje estamos predispostos a olhar para o século XX como uma era de extremos políticos, de erros trágicos e de escolhas irracionais; uma era de ilusão da qual agora, felizmente, nos libertámos. Mas não estaremos igualmente iludidos? Na nossa renovada veneração do sector privado e do mercado, não teremos simplesmente invertido a fé de uma geração anterior na «propriedade pública» e no «Estado», ou no «planeamento»? Nada é mais ideológico, afinal, do que a afirmação de que todos os assuntos e políticas, privados e públicos, têm de voltar-se para a economia globalizada, as suas leis inevitáveis, e as suas exigências insaciáveis. De facto, esse culto da necessidade económica e das suas leis férreas era também uma premissa fulcral do marxismo. Ao transitar do século XX para o XXI, não teremos apenas abandonado um sistema do século XX baseado na crença, e colocado outro no seu lugar?" Tony Judt, O Século XX Esquecido

Sinais de fogo

       Sinais de Fogo, Luís Filipe Rocha, 1995.

Nunca tinha visto a adaptação de Sinais de Fogo para cinema. A versão fílmica centra-se mais na dimensão histórico-política e no contencioso romântico de Jorge (Diogo Infante) em detrimento das sexualidades reprimidas cuja exuberância vagueia pelo romance emprestando-lhe a identidade. Ainda assim, acabam por comparecer à chamada da subtileza como parte de uma trilha destinada ao opróbrio. Onde todas as aspirações são esconjuradas - a liberdade política, o amor de Mercedes por Jorge, o amor de Jorge por Mercedes, o amor de Almeida por Mercedes, o amor de Rodrigues pela tia de Jorge, o idealismo político de Ramos - apenas podem sobreviver as aspirações moldadas pela esconjura: o libertinismo e o platonismo. Com excelentes interpretações - Marcantonio Del Carlo e José Airosa carregam aos papéis mais marcantes - e diálogos muito bem conseguidos, fica a recomendação.



"Nós não tivemos princípio, meu amor. A única coisa que podemos é não ter fim no nosso amor. Tudo o mais que fizermos por ele só pode acabá-lo mais depressa, ou acabar com a vida em que podemos tê-lo." Jorge de Sena, Sinais de Fogo

Insurgência Ocupada

Os tempos não estão bons para determinada oposição política que se move dentro dos paços do sistema político. O que existe nessa oposição de crítica ao curso das sociedades em que vivemos, e de crítica às lógicas que as regem, está completamente dobrado aos imperativos dos juros da dívida. Portanto, existem hoje três 3 opções em relação aos ditames da economia política dominante.

Primeiro, a opção pragmática proposta por Cavaco Silva: temos é que jogar o jogo imposto pelos mercados e pelas taxas de rating parando de estrebuchar desculpas vãs. É a vida.

Segundo, a opção por uma forte crítica interna que denuncie, por um lado, como é que o país dos sacrifícios e da precariedade convive com as mordomias e com o desbarato e, por outro, que denuncie a olímpico esbanjamento que os sucessivos governos da nossa democracia perpetram ao usarem os fundos europeus com sageza só comparável ao trato dado ao ouro do Brasil (e aqui é provável que tenhamos que estrebuchar com o tal Cavaco, o D. João V da CEE).

Já a terceira opção associa a tenacidade de uma crítica aos desvarios e desigualdades internas com uma tentativa de pensar fora da caixa. Maldizendo, porventura, o vínculo entre a arquitectura económica da UE e os interesses especulativos, a financeirização da economia e, finalmente, a fronha do capitalismo desregulado a cuja face humana deveríamos saber um fazer simbólico manguito. Há mais que um Palácio de Inverno, a opção, naturalmente, é ocupá-los a todos.

Publicado no Aparelho de Estado


Jornada 10 - "Hulk, faz-me um filho"

Publicado na Liga Aleixo

Por uma política que insiste na valorização de jovens promessas sul americanas a bem dos fundos de investimento, Jorge Jesus foi privado de ver entrar no plantel jogadores feitos que lhe permitissem emular os níveis competitivos da época anterior. Errou ao colocar David Luiz na esquerda (perdeu um central e um defesa esquerdo), e errou, mais ainda, ao deixar Saviola no banco fazendo avançar Aimar para o seu lugar (perdeu o segundo avançado e o playmaker). Apesar de tudo, pelo futebol que fez carburar no Benfica, por ter inventado Fábio Coentrão como defesa esquerdo, Jesus tem crédito para errar e impressiona ver a ingratidão com que tantos os benfiquistas o têm tratado, apenas porque incapazes de lidar com as condições extremas de humilhação a que foram sujeitos pela superioridade do futebol de Hulk, Beluschi, Falcão, Varela e companhia (a hegemonia do Porto nos últimos 20 anos tem muito mais a ver com as trivelas do Quaresma do que com outra coisa qualquer).

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Camões (featuring RAP)

"Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê."

Jornada 9 - Académica meu amor

Publicado na Liga Aleixo

Sábado passado fui assistir à Tempestade com Varela no papel de George Clooney. Por um sortilégio que não vale a pena descrever em pormenor (uma amiga minha é irmã do sócio gerente de uma empresa da cidade que recebe convites para os jogos com frequência e não havendo interessados nos altos quadros da dita empresa os amigos das irmãs dos altos quadros poderão ser bafejados por um convite com direito a vinho e a arroz de pato) tive o ensejo de assistir ao jogo comodamente instalado entre os canapés da bancada vip. Vips propriamente ditos vi o Pinto da Costa, a quem fiz questão de segurar a porta para passar aproveitando para um leve aceno da cabeça como quem diz “Confie, o James Rodriguez é uma cartada de génio, senhor presidente". Também lá estava o  Fernando Gomes com ar de quem deve ter algum aproveitamento entre o mulherio nostálgico dos goleadores dos anos 80. Entre os anónimos, além de umas pessoas que conheço da charcutaria do Pingo Doce, lá estava o Paulo Bento. (...)

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À atenção do Pedro Mexia


Mónica Ribeiro, 19 anos, concorrente do Ídolos.

Avulsos

"O meu cabeceamento foi, provavelmente, um dos melhores momentos do jogo." Kieron Comerford


Via Mais Futebol

O ónus do silêncio

No alfa-pendular são uns queridos, emprestam uns phones pavorosos que na verdade constituem penduricalhos bastante úteis para quem não anda habitualmente com mp3 e dispensa ouvir o romancear da vida dos companheiros de viagem ao telemóvel. Agradado com a atenção, tenho para mim que as almofadas seriam mais úteis: o passageiro poderia sufocar os falantes mais ruidosos de forma expedita aproveitando ainda a almofada para recostar o sono. Seria uma preciosa contribuição para evitar a escalada inerente a uma concepção relativista do silêncio tão em voga nas nossas carruagens.

Portugal profundo

A linha vermelha tem uma percentagem de estações de metro começadas por "O" sem paralelo nos países falantes das línguas indo-europeias do Ocidente.

Selva Outonal


Ingrid Bergman em  Autumn Sonata, 1978, Ingmar Bergman.

"O homem sabe que há na alma matizes mais desconcertantes, mais inumeráveis e mais anónimos do que uma selva outonal. No entanto julga que esses matizes, em todas as suas fusões e transformações, são representáveis com precisão por um mecanismo arbitrário de grunhidos e guinchos. Julga que de dentro de uma bolsa saem realmente ruídos que significam todos os mistérios da memória e todas as agonias do desejo." Chestertoon