Para memória futura

O cartel da Zara/Pull&Bear/Springfield/HM (aka moda) lembra o socialismo real.

Exemplo: os calções no ano passado (tudo a roçar no tornozelo), as calçado este ano (só declinações de um mesmo tema: all star).

Balotelli, observa como eu faço

Sem a mordacidade que provavelmente me obrigaria a levar várias pessoas ao suicídio, desde logo a minha pessoa e os convivas que, de entre os moches a quem posso telefonar gratuitamente, estivessem disponíveis para o efeito - perigo que o autor terá considerado -, o maradona chama a atenção para a natureza excessivamente esquemática do post infra, traço esse que, putativamente, diz ele, eventualmente, a seu ver, na leitura que nos oferece, daquela perspectiva, visto dali, estaria patente nas frases que, respectivamente, o abrem e fecham. O facto é que a pronta humildade do Ouriquense me deixa sem grande espaço de manobra - não que o tivesse antes. Mas, não obstante o constrangimento imposto por essa réplica vagamente servil, vinda de Ourique, cabe considerar: desta perspectiva, na leitura que se me oferece, dados os termos em que a questão é posta, visto daqui, não é absolutamente improvável que o maradona esteja pejado de razão. No caso em apreço.

Mourinho

O que faz o génio de Mourinho vê-se nos detalhes. E, na noite de ontem, os detalhes estiveram no evoluir das declaração a propósito do caso Balotelli. A história conta-se depressa: mais uma vez Balotelli entrou em campo de de forma displicente e, ao ser apupado pelos adeptos, fartos dos seus comportamentos mimados, passou o tempo que esteve em jogo a mandá-los foder. Não contente, findo o encontro atirou a camisola do Inter ao chão (vídeo) e saiu do campo a praguejar. Como reagiu Mourinho? Conforme se vê neste vídeo, foi absolutamente cáustico com o comportamento do miúdo de 19 anos, explicando que onde os jornalistas queriam ver um problema de relação pessoal entre um treinador e um jogador está, isso sim, uma criança estúpida da qual qualquer treinador já teria desistido. Fim da história? Não.

Nas declarações à TV italiana, porventura ciente que, ao ser agredido por Materazzi, Balotelli, apesar da sua cagança crónica, estaria numa situação de fragilidade irreversível, voltou a repetir a crítica ao comportamento de Balotelli, mas desta feita deixou de lado a sua própria vitimização perante os jornalistas italianos e acrescentou um pequeno detalhe: é bom que ele se prepare para jogar a titular no sábado. Ou seja, reunido o consenso anti-Balotelli, numa situação que qualquer treinador teria aproveitado para se livrar de um problema, Mourinho decide dar-lhe (mais) uma derradeira oportunidade.



Com Paulos Bentos e outros treinadores armados em líderes disciplinadores, Balotelli já estaria há anos num campo de trabalhos forçados (que se lixe o capital desperdiçado). Já Mourinho é um disciplinador demasiado sério para perder um jogador cujo futebol vale dinheiro e vitórias. Na evolução das declarações de Mourinho percebemos como se soube aproveitar a inédita fragilidade de Balotelli, não meramente para o salvar, mas para estabelecer com ele uma relação de dívida que, em última instância, o possa salvar. Deus está nos detalhes. No que ao génio de Mourinho diz respeito, o jogo de ontem foi um pormenor. O detalhe veio depois.

Cartada contra a privatização dos CTT



No dia 22 de Abril, um grupo de cidadãos vai juntar-se nos Restauradores, para enviar uma carta ao Primeiro Ministro, a explicar-lhe porque é que é um erro crasso privatizar os CTT. A ATTAC pede a todos que participam e tragam a sua carta escrita e endereçada ao Gabinete do Primeiro-Ministro: Rua da Imprensa à Estrela, 4, 1200-888 Lisboa. Esta inicativa tem blogue, espaço no Facebook. Mas só vale a pena se o máximo de pessoas escrever a sua carta, com os seus argumentos, e for no próximo dia 22, às 18h15, aos Restauradores, em Lisboa. Antes disso, podem enviar as vossas cartas para o mail que está na página do blogue para que os promotores as publiquem.

"Falo por mim"

Ele desapareceu quase completamente da vida de Lara na altura em que anunciou a substituição clássica: "fica o meu falo, saio eu".

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Porto, Mercado do Bolhão

Mais

Ela nunca disse que disse que se sentia em casa nas relações leves, apenas fez notar que seria uma visita paciente.

Constance Collier por Alexander Bassano, 1896.

Como se sabe, as pessoas com deficiência não passam sem uma boa gincana


15-04-2010 - Casa de Banho da Estação de Santa Apolónia

Menos

Ela nunca disse que o amor estava sobrevalorizado, apenas fez notar que a fazia sentir sobrevalorizada.

Constance Collier por Alexander Bassano, 1896

A etnógrafa





Chungking Express, Wong Kar Wai, 1994.














Portugal, que futuro?

Portugal devia pedir a independência da Fátima Campos Ferreira.

Coimbra, 8 de Abril

Gepeto, faz para mim essa mulher.

Versões de um mesmo mito



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Por favor, ligue mais tarde


Na passada Quarta-feira, o país acordou para ir ver os dados da Marktest: importava saber quem teria sido o vencedor da noite. Ao que parece, a entrevista de Pinto da Costa a Judite Sousa na RTP1 teve o dobro de audiências daquela que Luís Filipe Vieira concedeu a Miguel Sousa Tavares na SIC. Pinto da Costa não deslumbrou, mas, valha a verdade, ao dar a Judite de Sousa a honra de uma entrevista ao fim de 3 anos tinha meio caminho para conquistar a complacência da entrevistadora. Ademais, Judite de Sousa terá sentido que devia provar que o trôpego benfiquismo do marido, reputado comentador desportivo, em nada a inibia de se enlevar pelo trovador do Norte.

Luís Filipe Vieira também se saiu de forma airosa aproveitando-se, talvez, da inusitada simpatia de Miguel Sousa Tavares (Miguel Sousa Tavares simpático, credo). Desta feita o viés jornalístico resultou num Sousa Tavares apostado em provar que o seu portismo havia ficado em remanso à espera de novas crónicas para A Bola.

Mas vamos ao que interessa e nada interessa que Pinto da Costa tenha esmagado nas audiências um Luís Filipe Vieira. Os factos mais pertinentes trazidos pelas entrevistas definem uma outra disputa da qual Jorge Jesus é o insigne vencedor e Rui Costa o enxovalhado de serviço.

Tanto Pinto da Costa como Luís Filipe Vieira admitiram ter equacionado a contratação de Jorge Jesus na época passada. Imaginem o ego do senhor. Luís Filipe Vieira adiantou ainda que já desejava Jesus há dois anos e que foi a sua acção directa que permitiu garantir o treinador da presente época: “se eu não apareço hoje o Jorge Jesus estava no Porto”. Leia-se: "dei as fichas todas a Rui Costa e ele gastou-as com o tal do Quique Flores". Pior, como se percebeu no fim da época passada, Rui Costa terá feito oposição à contratação de Jesus em favor da continuidade de Quique Flores, porventura ciente de que a saída de Quique representaria a total capitulação da sua aposta pessoal. Resultado: Luís Filipe Viera impôs-se e hoje fala directamente com Jorge Jesus (ao que consta falam ao telefone todos os dias e Jesus até pede jogadores de madrugada). Compreende-se assim que Luís Filipe Viera tenha dito que Rui Costa - pelos vistos o único ser humano que na época passada não equacionou Jesus - tem muito que aprender (com o próprio Vieira, presume-se). Não custa especular sobre a cena paradigmática: enquanto Luís Filipe Viera e Jesus falam ao telefone, antes de adormecer, Rui Costa é sucessivamente reencaminhado para o atendedor de chamadas.

Temos assim que o sucesso de Jesus é, por ora, a glória do sistema presidencialista que Luís Filipe Vieira adoptou para prevenir os desmandos principiantes de Rui Costa. Assim, curiosamente, o sucesso de Jesus é, de algum modo, a suprema derrota do Rui Costa de fato e gravata. Enquanto Jesus continuar a viver tempos de glória no Benfica, para Rui Costa Estádio da Luz será um irónico campo de reeducação. Porém, glorioso.

As minhas entradas estão a dar de si (III)

Carapinha à parte, tudo indica que as minhas entradas venham a fazer de mim o novo Jorge Costa.