Sinais de fogo

       Sinais de Fogo, Luís Filipe Rocha, 1995.

Nunca tinha visto a adaptação de Sinais de Fogo para cinema. A versão fílmica centra-se mais na dimensão histórico-política e no contencioso romântico de Jorge (Diogo Infante) em detrimento das sexualidades reprimidas cuja exuberância vagueia pelo romance emprestando-lhe a identidade. Ainda assim, acabam por comparecer à chamada da subtileza como parte de uma trilha destinada ao opróbrio. Onde todas as aspirações são esconjuradas - a liberdade política, o amor de Mercedes por Jorge, o amor de Jorge por Mercedes, o amor de Almeida por Mercedes, o amor de Rodrigues pela tia de Jorge, o idealismo político de Ramos - apenas podem sobreviver as aspirações moldadas pela esconjura: o libertinismo e o platonismo. Com excelentes interpretações - Marcantonio Del Carlo e José Airosa carregam aos papéis mais marcantes - e diálogos muito bem conseguidos, fica a recomendação.



"Nós não tivemos princípio, meu amor. A única coisa que podemos é não ter fim no nosso amor. Tudo o mais que fizermos por ele só pode acabá-lo mais depressa, ou acabar com a vida em que podemos tê-lo." Jorge de Sena, Sinais de Fogo



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