Insurgência Ocupada

Os tempos não estão bons para determinada oposição política que se move dentro dos paços do sistema político. O que existe nessa oposição de crítica ao curso das sociedades em que vivemos, e de crítica às lógicas que as regem, está completamente dobrado aos imperativos dos juros da dívida. Portanto, existem hoje três 3 opções em relação aos ditames da economia política dominante.

Primeiro, a opção pragmática proposta por Cavaco Silva: temos é que jogar o jogo imposto pelos mercados e pelas taxas de rating parando de estrebuchar desculpas vãs. É a vida.

Segundo, a opção por uma forte crítica interna que denuncie, por um lado, como é que o país dos sacrifícios e da precariedade convive com as mordomias e com o desbarato e, por outro, que denuncie a olímpico esbanjamento que os sucessivos governos da nossa democracia perpetram ao usarem os fundos europeus com sageza só comparável ao trato dado ao ouro do Brasil (e aqui é provável que tenhamos que estrebuchar com o tal Cavaco, o D. João V da CEE).

Já a terceira opção associa a tenacidade de uma crítica aos desvarios e desigualdades internas com uma tentativa de pensar fora da caixa. Maldizendo, porventura, o vínculo entre a arquitectura económica da UE e os interesses especulativos, a financeirização da economia e, finalmente, a fronha do capitalismo desregulado a cuja face humana deveríamos saber um fazer simbólico manguito. Há mais que um Palácio de Inverno, a opção, naturalmente, é ocupá-los a todos.

Publicado no Aparelho de Estado


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