Filme do Desassossego


Demasiado longo para que o sucessivo êxtase não se torne extenuante, ainda assim é um pedacilho de imperdível peregrinação. Alguma economia - menos tempo, menos cenas, menos massacre da atenção do espectador à récita, menos aquela ópera - e recomendá-lo-ia com outro entusiasmo.

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Querido mestre Bruno Sena Martins: devias ter mais cuidado com o que dizes. Sabes, meu caro: a alta cultura tem um tempo longo. É exigente. Não cabe no tempo mínimo da consulta wiki ou das telenovelas em que a tua paciência parece estar formatada. Bem sei que não está. Mas parece. Não te esqueças, caro sociólogo-antropólogo, que as grandes obras, aquelas que cantam as pulsões contraditórias da "psiche" humana, precisam naturalmente de um tempo longo para respirarem: Dom Quixote, Fausto, no cinema Barry Lindon, Filme do desassossego, só para citar algumas. Dizes tu: "Alguma economia - menos tempo, menos cenas, menos massacre da atenção do espectador à récita, menos aquela ópera - e recomendá-lo-ia com outro entusiasmo". E a tua tirada sobre "aquela ópera" é o corolário natural de alguém que tem da vida e da arte uma expectativa baixita. Sabes trautear a canção dos Deolinda e pouco mais, não é? Sabes, isto da cultura tem muito que se lhe diga. Não é para o dente de todos. Por isso mesmo, e como dizia aquele título da peça que esteve no São Luiz: "é a cultura, estúpido!" Pedro Miguel Peixoto
 

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