Patético

Ido a Verona não resisti a um auto-retrato junta à casa de Julieta (a do Romeu). Não sei o que considerar mais patético, se eu a tirar-me fotos no meio dos peregrinos de Shakespeare (certamente ávidos leitores), se as fotos que resultaram desse exercício. Juro que vos mostrava, queridos leitores, mas até eu tenho alguns limites para as figuras a que me permito. Agora em Londres: tenho a dizer-vos que não se passa aqui nada desde a última glaciação. À excepção das bicicletas que o Boris espalhou por aqui, umas situações sul-africanas no Museu Britânico, algumas crianças nascidas nos subúrbios e a minha recente capacidade para reparar na beleza asiática (uma conquista depois de 3 meses em Leeds sem conseguir achar graça à paisagem urbana proporcionada pelas nativas). Mas enfim, as minhas saudades, mais afeitas à beleza mediterrânica, insistem sendo banhadas pelo reles do Mondego (diz que o nome e as águas vêm de uma moura a chorar pelo seu el pibe da altura: Mon Diego). Sim, eu sei, o Mondego não tem nada a ver com o Mediterrâneo, mas Shakespeare não tem nada a ver com as minhas figuras patetas e no entanto escreve umas coisas que reputo de agradáveis e sensatas. Vá, e bonitas que até dói.



Verona, Setembro de 2010.



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