Os românticos do PSD

Entre outras coisas, Manuela Ferreira hipotecou as suas hipóteses de vitória eleitoral em nome da celebração narcísica da ideia de Verdade, ali tida como a fundação moral do carácter de um político. Já Passos Coelho parece investido em tentar esboroar a coroação democrática em nome de uma revisão da Constituição, a fundação ideológico-institucional da República.

Não se pode dizer que sejam modestos os planos de lavra dos recentes líderes do PSD. Porém, fica a persuasão de que a transcendência (ideológica ou caracterológica) afirmada nas suas agendas acabará brutalmente encostada à terra pela pequena política que as inspira. Se Ferreira Leite quis aproveitar as embrulhadas judiciais de Sócrates, Passos Coelho reclama nova Constituição porque a isso ficou obrigado pelo capital indígena que o apoiou. Olhar estrelas a partir de valas comuns pode ser muito romântico, não soubéssemos nós porque é que foram cavadas.

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