Jornada 1 - FC Porto

Publicado na Liga Aleixo.

Não queria deixar de usar o espaço conferido por esta crónica para enviar um alerta ao Salin, o guarda-redes da Naval. Como terão reparado, Salin mostrou-se muito frustrado por quase ter defendido o penálti marcado por Hulk. O que Salin não percebeu é que se aquela bola o apanha poderíamos estar aqui a lamentar a vida de um guarda-redes francês furado por uma jabulani na Figueira da Foz. Caro Salin, abandonar a baliza ou fugir pode não ficar não muito bem na fotografia, mas em situações como a de sábado pode fazer-lhe muito bem à saúde.
Vamos às perguntas difíceis: é deprimente ganhar um jogo com um penálti estúpido a poucos minutos do fim? Diria que sim. Ou melhor, diria que é assim para o agridoce (mais para doce do que acre, afinal ganhámos). Mas ressalvem-se dois factos que apesar de tudo me vão apaziguar as insónias. Primeiro, existiu de facto falta no penálti cometido por Jonathas, defesa da Naval a quem endereço o meu obrigado (e um convite para comer sardinha à discrição no restaurante do Núcleo Sportinguista da Figueira da Foz). Jonathas não cortou nenhum lance perigoso, facto, e, nesse sentido, até podemos dizer que prejudicou manifestamente a Naval. No fundo, sem outra intenção que não o seu próprio vexame, Jonathas não terá resistido a aproximar o braço de uma bola que lhe passou a roçar as costelas flutuantes (é uma zona muito erógena no que a jabulanis diz respeito). A outra notícia tranquilizadora é que ganhei 5 euros numa aposta combinada entre a vitória do Porto e a vitória do Paços de Ferreira.
Apesar do jogo menos bem conseguido do Porto, são de registar alguns detalhes que creio animadores na prefiguração desta época:
- Nas bolas paradas ofensivas notou-se trabalho de casa e, finalmente, surgem outras soluções nos livres indirectos que não as bolas (mal) bombeadas para o Bruno Alves (solução única na época de Jesualdo);
- Quando meteu Guarin, Villas-Boas passou do 4-3-3 a um 4-4-2. Mais do que a opção ter resultado para e jogo com a Naval, é de ressaltar a franca mais-valia na existência de dois sistemas suficientemente estudados ao ponto de poderem ser alternados no mesmo jogo (a ausência de extremos que obrigou Jesualdo a jogar em 4-4-2 no final da época passada transformou-se numa prenda que Villas-boas, inteligentemente, parece ter sabido receber).
- O Rolando sem o Bruno Alves está-se a fazer um homenzinho. De uma forma perversa a dupla com o Bruno Alves prejudicou a progressão de Rolando enquanto o central atleticamente impositivo que era no Belenenses. Ao lado de uma besta chamada Bruno Alves, Rolando adoptou uma postura de low profile que de algum modo mitigou o seu lado de central musculado. Acontece o mesmo ao Bruno Alves com na selecção, onde este se acanha perante a melhor capacidade de antecipação do Ricardo Carvalho, e acontece em muitas relações amorosas em que um dos consortes se apaga quando começa a namorar, tornando-se naquilo que, no caso de ser homem, usualmente se designa por coninhas. Pois bem, tudo leva a crer que Rolando deixou de ser um coninhas.

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