Emma Zunz

Steiner diz que não há uma única mulher verosímil na obra de Borges, à excepção do conto "Emma Zunz":
"Ao longo da sua restante obra, as mulheres são vagos objectos de fantasia ou das recordações dos homens." 
Steiner sublinha com acerto a sensibilidade masculina de Borges, uma sensibilidade definida, sobretudo, pela timidez que sempre o apartou das densidades vivenciais do sexo oposto. No entanto, na sua formulação,  Steiner esquece que na vida de um homem  a mulher verosímil assume frequentemente a forma de fantasia ou de memória. A única mulher plausível é a que a distância nos oferece. Não falamos da mulher exactamente como objecto, mas como significante de um desejo, às vezes querente, às vezes nostálgico. As demais mulheres verosímeis de que fala Steiner, essas, ganham concretude  na vida dos homens verosímeis, nunca na vida dos efabuladores borgesianos.



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