Avulsos

"Terá de existir a propriedade privada de grandes obras de arte, acompanhada de tudo aquilo que essa propriedade acarreta de riscos materiais, de cobiça, de exclusão das correntes do pensamento e do sentimento gerais? A interrogação torna-se ainda mais premente quando o quadro, a escultura ou produção de arquitectura em causa foram concebidos tendo em vista antes do mais a exposição pública como é, evidentemente, o caso da maioria das obras da Idade Média, do Renascimento e dos séculos XVII e XVIII. Dizer que os coleccionadores privados, sobretudo nos Estados Unidos, têm sido generosos por permitirem que alguns convidados eruditos dêem uma olhadela aos seus tesouros (nem sempre o fazendo, na realidade), não é resposta. Deverá a simples riqueza ou a especulação febril do investidor determinar a localização e o acesso a algumas produções do legado humano, universais e sempre insubstituíveis? Há ocasiões em que penso que a resposta deve ser categoricamente negativa: as grandes obras de arte não são, não podem ser, propriedade privada. Mas não tenho a certeza."

George Steiner, "O Sacerdote da Traição", George Steiner em The New Yorker.

Comments:
eles que as compre e depois que as doe ou que crie um mudeu
 

Enviar um comentário

Comentários



<< Home