Ronaldo vs Queiroz

Uma televisão espanhola dedicou-se a acompanhar Ronaldo durante toda a partida, assim, graças à voracidade dos madrilistas pela sua estrela, podemos recuperar as palavras que o delfim de Mourinho atirou a Carlos Queiroz aquando da substituição de Hugo Almeida: "Assim não ganhamos, Carlos!" Que Ronaldo não tem perfil para capitão, como prova a expiação que intentou no final da partida, é das evidências menos contestáveis deste princípio de século marcado pelas convulsões não debilitantes da égide neoliberal. Adiante. Também dou de barato: ao se achar tão melhor que os demais colegas de selecção, Ronaldo acaba por ser minado pela incapacidade para acreditar - participando - no jogo colectivo; não é excesso de crença nas suas capacidades, é um desespero que ele magnificou ao absurdo fundado na arrogância de um qualquer emigrante incapaz de imaginar flores a nascer nos baldios da sua adolescência. Ao tentar resolver sempre em individualismos cheios de boas intenções, Ronaldo reduz a preparação da equipa adversária adversária a menos de 3 diapositivos com menos de duas linhas cada.

Ainda assim, por desconcertante que seja, cabe reconhecê-lo: à vista da substituição mais inepta que já vi em futebol profissional (quer dizer, mesmo quando joguei nos distritais pelo montemorense estive longe de vislumbrar algo tão patético), são de Ronaldo as palavras mais memoráveis na revisitação da viagem portuguesa à Àfrica do Sul. "Assim não ganhamos, Carlos!" O anelo de Carlos Queiroz ao powepoint encontrou no desespero egocêntrico de Ronaldo o mais expedito acusador. Nem ao maluco da aldeia se retira ao mérito de dizer umas verdades no tempo certo.



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