Bruna

Como podemos ver neste vídeo, a vereadora da educação da câmara municipal de Mirandela sentiu-se muito mal - como professora e como mãe - com aquilo que viu na Playboy e, claro, acha muito bem que Bruna Real seja afastada das salas de aula; afinal, explica-nos serenamente, quando tomamos algumas opções na vida temos que arcar com as consequências e, portanto, abdicar de outras possibilidades. É a vida, diz-nos a vereadora. Mas sejamos claros, que os juízos morais de Maria Gentil (ou de outrem) possam interferir com a carreira profissional de uma uma professora é uma opção, porventura uma opção fundada em valores da ordem do imperativo ético, valores que a obrigaram a um activismo pelo recato corporal das professoras publicáveis, mas ainda assim uma opção. Outra opção, esta colectiva, é aquela que tomámos quando decidimos que o Estado e os seus meios não deveriam ficar na mão de juízos morais individuais, uma opção feita para, entre outras coisas, podermos abdicar de pessoas como Maria Gentil a exercerem poder discricionário. Mesmo que a moderamente gostosa da Bruna seja reintegrada, dadas as opções tomadas eu gostava de saber do que é que a nada gostosa Maria Gentil está disposta a abdicar.

Publicado também no Arrastão.



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