Celibato e pedofilia

"Papa reafirma carácter «sagrado» do celibato dos padres"
À falta de outros argumentos para acabar com o absurdo do celibato, o rosário de escândalos de pedofilia deveria ser suficiente para que o Vaticano se decidisse a assinar o decreto. Se é verdade que o celibato está longe de ser causa única na relação entre sacerdócio e pedofilia, custa perceber que tanta sapiência iluminada falhe em perceber esta coisa prosaica: a repressão sexual de adultos investidos de uma especial autoridade moral - reconhecida junto das comunidades de fé - é um perverso "facilitador" do abuso de menores.

Podemos tentar compreender que a igreja queira manter as suas concepções de pureza, que queira consubstanciar a dedicação ao evangelho na capacidade de renúncia. Mas ultrapassa o admissível que o papado finja não perceber que a celebração da "pureza" dos celibatários se tem feito à custa de demasiadas "vítimas civis", que finja não perceber que quando a renúncia encontra os seus limites tende a escapar-lhes sob a forma de perfídia. As vítimas de pedofilia são um recorrente memorando do alto preço a ser pago pelo capricho do celibato.

Publicado também no Arrastão.



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