Escutas

A facilidade com que discorremos sobre conversas privadas não deveria depender da uma persuasão pessoal em relação à veracidade das mesmas ou de um juízo sobre o grau de ilícito que comportam (aqui falo tanto de conversas ouvidas num restaurante como de escutas publicadas no youtube). Deveria depender, sim, de uma decisão pessoal em que cada qual optaria por validar o modo como determinada conversa privada pôde ser tornada pública, tirando consequências do seu conteúdo, ou optaria por recusar cumplicidade com aquilo que entende qualificar como atentado à privacidade de outrem, demitindo-se de a comentar. O facto é que a generalizada noção da existência de constrangimentos políticos à liberdade de expressão, a trivialidade das fugas ao segredo de justiça bem como o espectro das corrupções impunes deixam o comum opinador olimpicamente perdido entre princípios.

Publicado também no Arrastão.



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