Escutas

A facilidade com que discorremos sobre conversas privadas não deveria depender da uma persuasão pessoal em relação à veracidade das mesmas ou de um juízo sobre o grau de ilícito que comportam (aqui falo tanto de conversas ouvidas num restaurante como de escutas publicadas no youtube). Deveria depender, sim, de uma decisão pessoal em que cada qual optaria por validar o modo como determinada conversa privada pôde ser tornada pública, tirando consequências do seu conteúdo, ou optaria por recusar cumplicidade com aquilo que entende qualificar como atentado à privacidade de outrem, demitindo-se de a comentar. O facto é que a generalizada noção da existência de constrangimentos políticos à liberdade de expressão, a trivialidade das fugas ao segredo de justiça bem como o espectro das corrupções impunes deixam o comum opinador olimpicamente perdido entre princípios.

Publicado também no Arrastão.

Comments:
Pareces ter deixado de fora essa outra decisão de não ouvir nem ler conversas publicadas/divulgadas em tais circunstâncias.
 
falava em abstrair-me de comentar ou de tecer considerandos políticos, não de ouvir. Até porque sou demasiado cusco e o auto-controlo é nenhum.
 
A questão é tão simples quanto isto: uma conversa de um 1º ministro, e dois ministros num espaço publico( não´são as conversas por telefone com o Vara), falando em "linchar"um jornalista não deve ser divulgada? Claro que deve. Em todas as circunstancias.
 
Há jornalistas que se têm em conta muito elevada. Mas presunção e água benta...
 
Mas onde pára o TGV, novo aeroporto,
o apoio as pequenas e médias empresas, o rendimento minimo, os reformados, os desempregados. Será que já esqueceram as promessas eleitorais ou o problema de Portugal é a liberdade de expressão, ou tudo isto não será dor de corno.
 

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