Trasmissões televisivas de clubite



Com raras excepções, a narração de um jogo de futebol na TVI ou na SIC ilustra com acuidade aquilo que comummente se designa por suplício. Facto prosaico facilmente explicável, primeiro, pela menor qualidade dos intervenientes quando comparados, por exemplo, com os elevados padrões oferecidos pela RTP (já a Sporttv demora a perceber que não basta cicrano ter um passado ligado ao futebol para conseguir estar 90 minutos ligado ao comentário de um jogo), em segundo, pela instrumentalização do relato dos jogos para a publicitação dos programas que se seguem na grelha (enquanto o Aimar se dirige isolado para a baliza sai um oportuno teaser sobre o Caminho das Índias).

Como se isto não bastasse, e longe de mim sufragar a expressão acusatória "jornalistas de Lisboa", o facto é que almas conspirativas como esta que vos fala não conseguem deixar de reparar num certo "viés regionalista" comum aos narradores de serviço nas estações em apreço - e quem teve o azar de ver/ouvir o Belenenses-Porto de ontem saberá do que estou a falar. Sinceramente, a libido clubística daqueles senhores é tão exuberante que deve incomodar o mais anti-portista dos espectadores .

Crítica fácil, já sei. Há que propor soluções, concordo. Pois bem, com o intuito de uma fachada de isenção, proponho à TVI que ministre uma acção de formação aos seus narradores de futebol, consistiria esta em três módulos: 
I  "Como disfarçar a extrema alegria que nos assalta quando o Porto está a perder";  
II "Como disfarçar a extrema tristeza que nos assalta quando o Porto ganha";  
III "Como lidar com a tristeza continuada".

Publicado também no Arrastão.



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