Lara

De flagelo em flagelo, Lara dava-se a sucessivas paixões não porque recusasse verter as desventuras numa medida cautelar, não porque vivesse a seu modo, generoso, a oposição entre romantismo e ponderação. Onde uns vissem o voluntarismo ingénuo de uma lírica estava, sim, um cepticismo tutelar. Para Lara a putrescência romântica é ansiosamente esperada como fatalidade, Lara pressente o pouco tempo que lhe resta para os amores, Lara pressente o domínio iminente dos anti-corpos que foram sendo incubados por cada mão que lhe ajeitou o cabelo.

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