As derivações de um traidor


Foto: Francisca Moreira

"Futebol em verbos: as derivações de um traidor",  Maca - magazine de arte de Coimbra & afins, nº 7/8: 34-42.
Proverbialmente convertido ao Dasein de Martin Heidegger, Richard Rorty instava-nos cultivar a capacidade para questionarmos ao espelho: “será que nasci na tribo errada?” A questão, alegava, deveria tornar-nos mais hábeis para celebrar as escolhas face aos constrangimentos da cultura de partida. Ámen. Ainda assim, importa amainar os festejos: até que ponto será tudo exultante nessa capacidade para nos desenraizarmos em favor das afinidades eleitas no curso de uma vida? Afinal, a traição, bem o sabemos, é uma das modalidades de uma escolha liberta de constrangimentos. Quando me perguntam como posso ser um adepto tão ferrenho do F. C. Porto, quase esquecendo o clube dos inícios, a Académica, não consigo deixar de lamentar uma traição que perpetrei por óbvios sonhos de grandeza. Tanto quanto a capacidade de abjurar as origens em favor das opções, a fidelidade à tribo em que se nasce também pode ser uma virtude. Desgraçadamente não a pratico. (...)



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