Volta Fernando Lima
Tordesilhas
Número de eleitor

Tenham alguma paciência mas a elegia Mélanie Laurent é bem capaz de não ficar por aqui.
JMP

Não é improvável que o meu rabo proverbialmente pesado se mexa no domingo para meter uma cruz neste gajo.
É inteiramente compreensível a ansiedade do ex-ministro com o regresso a um passado que ameace mexer o tacho que há muito lhe foi dado de presente. Eventos como a nomeação de Fernando Gomes para a Galp fazem parte de uma lógica em que muitos gostariam de ver o corolário do progresso, o tal apaziguamento da política sob o capital que marcaria o fim da história (democracia liberal no dizer de alguns). Não é bem saudades do PREC, mas se isso significa correr com tachistas deste calibre, por bondade, venha daí essa pré-história. Um cheirinho, vá.
Inglorious Basterds

Mélanie Laurent.
A cinegenia e a beleza não têm que andar necessariamente juntas, mas há formas de beleza que são uma questão de cinegenia. À medida que a contemplação quotidiana vai sendo colonizada por essa sensibilidade pró-fílmica, é toda uma concepção de beleza a entrar em modo de casting.
Esmiucemos

Ontem no Esmiuçar os Sufrágios Paulo Portas afirmava que para ele cada um faz como quer: quem quiser casa-se, quem quiser viver em união de facto vive, quem quiser namorar namora, quem quiser ficar sozinho fica. Saúda-se tamanho gesto de abertura às liberdades individuais. Pena tratar-se de um mero logro para parecer mais cool. Ou, se preferirem, é pena ser mentira. Paulo Portas, tal como toda a bancada do CDS, votou passado Outubro contra o casamento de pessoas do mesmo sexo. Mais, o programa eleitoral do CDS para a próxima legislatura é inequívoco na "Defesa da estabilidade da actual definição de casamento". Ou seja, "casa quem nós quisermos".
Conquista normanda
Se não mais, deixo assim expressa a capacidade dissuasora das línguas românicas sobre as germânicas.
Domingos Lopes
O Madoff é um menino.
Jornal de Sexta: missa do sétimo dia
Em todo o caso, resultava uma convicção mais ou menos consensual, o fim do Jornal de Sexta da TVI, no momento em que se deu, e dadas as reiteradas declarações de incomodidade por parte do PS, prejudicaria Sócrates: ficava demasiado exposta a suspeita de uma decisão política. Tanto assim que para muitos seria mais plausível uma espécie de teoria da conspiração: o Jornal foi fechado para vincular Sócrates à imagem de um autocrata pouco afeito a certas liberdades de expressão. Seja como for, tudo indica que o fim do Jornal de Sexta permanecerá numa nebulosa. Mas olhando para o rápido virar de página da agenda mediática, parece certo que as teorias da conspiração sobrevalorizaram a comoção a ser gerada por uma putativa luta pela liberdade de expressão. Desconfio que Sócrates ficou a a ganhar. Com a vantagem do tempo, fica fácil de concluir que o benefício político-eleitoral pelo fim Jornal de Sexta supera em muito o dano causado pela indignação que lhe compareceu ao enterro.
Avulsos
Mimi: "A idade não conta, o que conta são os sentimentos das pessoas."
João de Deus: "Tenho mais idade do que sentimentos, é a minha maneira de ser idoso."
Recordações da Casa Amarela
Ismael
"Ismael (o narrador) e Queequeg (o arpoador polinésio) encontram-se pela primeira vez no quarto, praticamente na cama que acabariam por partilhar. A cena não deve fazer parte da literatura queer. Felizmente. Impelido pela modernidade, o leitor procura ali uma tensão erótica inexistente. É uma grande experiência de leitura. A agenda fracturante melhorou Melville." OuriquenseÉ inevitável, com ou sem anacronismo é uma cena esplendorosa: cheia de homoerotismo como de anti-etnocentrismo (custa-me muito escrever a palavra "esplendorosa" na grafia correcta, há sempre um "explendor" que se insinua). Mas sim, Ouriquense, as ambiguidades encontradas pelo leitor contemporâneo jogam em favor de Melville.
Brinco
Nome
Não amarás

Tomek confessa que, entre outras coisas, espia Magda da janela e lê a sua correspondência há cerca de um ano. Na confissão do adolescente à vizinha inacessível há culpa, mas há também um manifesto orgulho ou, melhor diríamos, há um fervor místico que Tomek exibe como que esperando inteirar Magda dos tantos excessos de que foi capaz; espera convencê-la, talvez, de que nenhuma intrusão é infundada ou separável da grande narrativa do seu sentimento: no cumular dos desvarios Tomek procura persuadir Magda de que tudo aconteceu na justa medida de um amor desesperado. E, na verdade, a estranha condescendência com que Magda acolhe as perseguições de Tomek nada deve à generosidade ("não sou uma pessoa boa"), ao dó ou sequer à reciprocidade de sentimentos. Deve sim, primeiro, ao gosto narcísico de se sentir amada de forma tão dedicada e, depois, quero deduzir, à incompetência desse narcisismo para a defender da empatia. A empatia acontece porque o desespero de Tomek evoca em Magda um passado em que a própria se revê entregue a análogas "faltas de compostura". Os amantes capazes de desespero constituem uma vasta diáspora, nenhum "assimilado" está livre de ser recordado de onde veio e pelo que passou.
Nada de censura
"Logo a seguir ao debate a SIC- Notícias explica aos inteligentes quem ganhou. Três comentadores de direita. Três. Sem contraditório. Um deles a inefável Inês Serra Lopes. Nem só de PRISA vive a censura."Na RTPN e na TVI24 o cenário não era muito diferente. Em Portugal o comentário político na televisão assenta nuns quantos comentadores de direita e centro-direita cujas opiniões prefiguramos sem esforço. Convidados para assegurar a vetusta tranquilidade do hábito, estes comentadores são guardiões da serenidade do povo. Apesar de tudo são pessoas importantes.
Por falar em Buffon
Etiquetas: grandes defesas
Carrara

Vou só ali chorar."Escolha onze jogadores com quem jogou no estrangeiro. Comecemos pela baliza.
[sem hesitar] Buffon. Convivi com ele um só ano no Parma e deu para perceber a qualidade futebolística e humana. Comparo-o ao Baía. Sabe o que tinha o Buffon dentro do cacifo no Parma? Nem vai acreditar! Um poster dos adeptos do Carrarese, o clube da sua terra [Carrara]. Ia ver os jogos deles nas folgas." Sérgio Conceição, I
Os livros ardem mal
Diz o FJV: "Desculpem lá, mas ora foda-se e regressem lá, que eu vou a Coimbra assistir."
E eu prometo fazer menos concessões a um rabo proverbialmente pesado.



