Facebook

No facebook há uma mensagem curiosa explicando como cada utilizador gere as suas informações de perfil aos olhos daqueles ainda não foram adicionados como amigos. Em certos casos parece a seguinte mensagem:
"Fulano apenas partilha certas informações com todas as pessoas".
A tradução apressada oferece-nos uma frase sintacticamente equívoca e sociologicamente irrealista. Já a formulação "Fulano partilha todas as informações com certa pessoa" seria sintacticamente irrepreensível, mas não menos irrealista.

Não esperem muito de mim (parte XVII)

Se passamos muito tempo investidos em baixar as expectativas sobre o que vai acontecer o mais que conseguimos é lembrar as pessoas de que algo vai acontecer. Se há coisa a que as expectativas não resistem é ao adiamento sucessivo de um evento (mesmo que esse evento se anuncie insignificante). A sedução opera adiando aquilo que não promete. O Programa do PSD, aventado no limite uma mera página A4, fez-se esperar tanto tempo que, inadvertidamente, acabou por se tornar o documento mais aguardado da presente campanha eleitoral. É a pior coisa que o PSD podia ter feito a um texto que, valha a verdade, nunca se quis comprometer.

Manuela Ferreira Leite e Carolina Patrocínio

Não me custa imaginar que Manuela Ferreira Leite seja pessoa para comer uvas com grainhas. No que me diz respeito, nem isto abona a em favor da líder do PSD nem aquilo joga em desfavor da mandatária para a Juventude do PS. Aliás, recordo com especial pesar o dia em que a minha mãe deixou de me descascar as maçãs. A vida continua e hoje, sem tão gentis cuidados, sou uma pessoa condenada a consumir fibras. Fruta na fruteira, cabe constatar que Manuela Ferreira (a candidatada) tem uma presença na vida política portuguesa muito semelhante à de Carolina Patrocínio. Onde a imagem de uma representa a beleza e a juventude, a imagem de outra representa a verdade. Irmanadas como significantes imagéticos pouco mais têm a propor do aquilo que aparentam (no caso da Carolina) ou aquilo que querem aparentar (caso de MFL).

Como significantes puros que nalgum momento se deixaram contaminar, o erro de Carolina foi falar dando laivos de aristocracia endinheirada à imagem de menina bonita. O erro de Manuela Ferreira Leite foi deixar-se mostrar como a "madrinha" de António Preto. De resto Ferreira Leite evita cada palavra a mais, aflige-se com cada enunciado que faça perigar a verdade que Pacheco Pereira entreviu há meses num grande plano das suas rugas. Ao falar demais Carolina Patrocínio sublinhou o vazio político da sua mundividência. Já Ferreira Leite, ao nada dizer, luta por fundar a verdade no culto contemporâneo da (sua) imagem. Beleza e verdade, a cada conceito o seu modelito.

O Rui Costa errou



Nuno Assis vs Carlos Martins: da superioridade moral do enjeitado.

Fermosa e mal empregada

Menina, nao sei dizer.
Vendo-vos tão acabada*,
Quão triste estou por vos ver
Fermosa e mal empregada.

Quem tão mal vos empregou,
Pouco de mim se doía,
Pois não viu o quanto me ia
Em tirar-me o que tirou.
Obriga o primor que tem
Lindeza tão extremada
Que digam quantos-a vêem:
— Fermosa, e mal empregada!

Tomastes da fermosura
Quanto dela desejastes,
E com ela me guardastes
Pera tão triste ventura.
Matáveis sendo solteira,
Matais agora em casada;
Matais de toda a maneira,
Fermosa, e mal empregada.
Dá gosto de ver a sinceridade com que Camões fala da sua dor de corno. Mas na ironia por que o texto nos faz passear fica a retorcida persusão de que nem a dor de corno lhe pertence; concedendo que para determinada sensibilidade masculina qualquer mulher fermosa comprometida é mal empregada, Camões limita-se a constatar da impotência ontológica de um esteta sobre o mundo que não pode possuir. No limite, o marido da senhora sofre do mesmo mal, nenhuma beleza se detém de facto e o corpo outro é sempre o corpo de um Outro. Eis, pois, a fineza da ambivalência naquele "Vendo-vos tão acabada" que a minha edição da Lírica se apressa explicar: "acabada: o mesmo que perfeita, extremada em beleza, como adiante se diz."

Necrofagia

Pelas odds da bwin cada euro investido na vitória do Braga teve um retorno de €5.40.

4-2-3-1/4-4-2

O desenho táctico de Paulo Bento no jogo com o Nacional (se considerado o factor bola).


Só com muita má vontade é que alguém fracassa em deslindar aqui uma elegante variação do losango.

Detalhe: nas manchas vermelhas observamos o João Moutinho a fazer dobras aos apanha-bolas.

Imagem: Pollock

O som e o sentido

"Quando voltas?"

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A arte de depauperar Abramovich


"FC Porto coloca cláusula de Hulk nos 100 milhões."

Pergunta

Como é que é possível que, sendo eu tão musical (calma, não é nada disso), tão pronto a encostar-me à sonoridade daquelas frases que ficam (calma, não é bem plágio), tão vulnerável a trocadilhos (calma, eu até resisto, mal imaginam as doses de trocadilhos parvos que eu contenho durante uma conversa ligeira), tão boa pessoa (pronto, agora é plágio abusivo), tão decididamente monótono (a frase é de Borges, o que, convenhamos, dá um gosto presunçoso à noção de monotonia), tão solidamente fundado numa impetuosidade juvenil (Woody Allen: boyish impetuosity, para o mal e para o mal), tão completamente formatado pelo livro da véspera (não citar Susana Tamaro é apenas uma questão preventiva), tão completamente inscrito nas minudências da carne (ainda não lanchei, é só), tão necessitado de brincar com conceitos (eles raramente se dão à maçada), tão justamente depreciativo (parece que lamentar pelas nossas human frailties agora também é narcisismo), dizia, como é que é possível que com todo este acervo de motivos precipitantes eu não tenha dado ao post anterior o título de "A Europa das Esplanadas". Mais, como é possível que eu tenho escrito aquela merda sem sequer me lembrar que existia uma corruptela de George Steiner perfeitamente disponível, corruptela essa que, apesar de reles, seria a única coisinha que remotamente poderia ter gerado aquele enxame desanxabido de caracteres? Poramordedeus.

Carlos Magno

Na esplanada demoro-me num livrinho em que Lucien Febvre explora as teses de March Bloch sobre a génese da Europa. Como explicar a dívida de Febvre a Bloch sem fazer concessões à comunicação por soundbites? Bem, um soundbite que não cumpre os mínimos para boutade e que nem dá para estampar em t-shirts não é bem um soudbite: "A Europa surgiu, muito precisamente, quando caiu o Império Romano".

Do mediterrâneo a Carlos Magno, de Vestfália ao fuzilamento de Bloch pelos alemães, tudo isto me ocupa enquanto hesito entre o desejo de uma Europa suficientemente comprometida consigo para configurar como tal a hipótese de guerra fratricida, e suficiente memoriosa para activamente se conciliar com as diferenças que expulsou, queimou e colonizou - diferenças que paradoxalmente nunca deixou de celebrar como parte de seu património singular.

Entretanto chega o meu café, muito precisamente, quando se levantou a única rapariga gira da esplanada.

Temos que combinar


"Ligo-te para a semana", by Nuno Costa Santos.

Lolo Jones


Artic Sea

A pirataria envolvendo barcos é só para desviar a atenção do que se passa na internet.

Primeira Jornada

Paulo Bento ensaiou uma alteração táctica de molde a converter o losango (4-4-2) num 4-2-3-1. Eu acho muito injusto que se critique Paulo Bento pelo losango e que depois se critique Paulo Bento de cada vez que tenta fugir do losango. No entanto, devemos tentar. Há que reconhecer que, enquanto artífice do losango, Paulo Bento tem sido mister de uma conservadorismo competente: a resoluta inamobilidade do seu losango é o mais significativo legado de Paulo Bento às gerações futuras.

Mas enquanto alguém que aparece com outro sistema táctico, como fez sábado, Paulo Bento finge desconhecer em que medida o losango calcinou outros modos de vida. No fundo Paulo Bento pretende ignorar tudo aquilo que foi preciso destruir para manter um losango capaz de garantir segundos lugares. Na especialização dos jogadores, na constituição do plantel, no exemplo dado à academia, no secreto desejo de um jogo sem extremos, nenhum lirismo lhe resiste. Falta de matéria-prima?: Nani foi obrigado a jogar a médio interior esquerdo ao serviço de Paulo Bento. Pedir-lhe sorrisos era manifestamente um abuso. Se Ronaldo tivesse sido treinado por Paulo Bento em vez de Boloni não é improvável que hoje jogasse a defesa esquerdo.

Tomemos o exemplo de João João Moutinho. Como sabemos, João Moutinho fez toda a sua formação sénior a jogar no losango de Paulo Bento. Foi ver o mar nuns jogos do europeu ao serviço do 4-3-3 da selecção, mas cedo haveria de regressar aos rigores do polígono. Leu a obra de Alexander Soljenítsin e ganhou coragem: tentou sair para o Everton. Alegou ruína económica, conflitos familiares e uma despensa vazia para esconder a vergonha de ser o único jogador do mundo que sabe jogar em todas as posições do losango de Paulo Bento. Terá sido a sua última oportunidade de voltar a jogar futebol. Nascido em 1986, Moutinho é uma pessoa envelhecida que depende do losango para atravessar a rua.

Veloso, Djaló e Rochemback são os únicos com hipóteses de sobreviverem a Paulo Bento. Veloso e Djaló porque têm nas birras e no vedetismo uma importante reserva moral: nunca se empenharam o suficiente para poderem sequer acreditar na existência do losango. Já o Rochemback joga lá aquela coisa dele e nunca deixa que o chateiem com conceitos que possam trazer cansaço.

Pois bem, se num belo dia o Paulo Bento muda a táctica e pede a pessoas longamente alienadas da modalidade para jogarem futebol é natural que os críticos do losango lhe reclamem o regresso. Se era para jogar futebol não se percebe a renovação com Paulo Bento.

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A metadona para quem gosta de batatas fritas

Avulsos

"There are certain queer times and occasions in this strange mixed affair we call life when a man takes this whole universe for a vast practical joke, though the wit thereof he but dimly discerns, and more than suspects that the joke is at nobody's expense but his own." Melville, Moby Dick

Lobo Antunes

Pelo Francisco José Viegas fico a saber que tenho mantido correspondência com a futura esposa de António Lobo Antunes.

Vá, uns emails trocados a propósito de umas questiúnculas académicas. Sabe como é, não resisti ao "tenho mantido correspondência".

Descubra as diferenças

Wikipedia: "Yoann Gourcuff (Ploemeur, 11 de Julho de 1986) é um jogador de futebol francês, joga atualmente no Bordeaux da França. Sua habilidade e semelhanças físicas com o tambem francês Zinedine Zidane fez com que Gourcuff fosse apelidado de Petit Zidane."



E eu sou muito parecido com o Benicio Del Toro.

Bandeira II

"A forma como a Esquerda aproveitou o acontecimento para vincular a Direita (como um todo) a este tipo de acções diz muito sobre a forma como se discute política em Portugal"
(Atente-se no bold). A forma como o Alexandre Homem de Cristo consegue pegar num texto vagamente lunático de José Reis Santos no simplex (usando-o sem pejo de ignorar as críticas que a acção do 31 da Armada recebeu de alguma direita ou a aprovação divertida que recebeu de alguma esquerda) para assim elaborar uma antítese à putativa tese da esquerda acerca da falência da direita pode dizer muito sobre o modo como o Alexandre discute (adianto o pode como hipótese: não lhe conheço da escrita o suficiente). Quando se responde a uma generalização abusiva com outra generalização abusiva enceta-se uma confrangedora desgarrada de teses caricaturais que, bem se vê, nada beneficiam "a forma como se discute política", em Portugal ou alhures.

O som e o sentido

Tapa-me.

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Gripe A'

Por muito que a Gripe A mereça o grosso da nossa atenção, seria importante que a OMS considerasse um "período de alerta de pandemia" para uma outra estirpe que recentemente se tem insinuado e que está agora na fase 4: "Pequeno(s) foco(s) com transmissão de humano para humano com localização limitada." Esta estirpe tira partido de situações de vulnerabilidade imunológica causadas pela falta de pachorra para andar de avião. Ferreira Leite e Ronaldo são, até agora, as vítimas mais conhecidas.

Bandeira

Entre monárquicos bem humorados e republicanos sisudos estou, naturalmente, com os primeiros.

Já podemos voltar a dormir descansados

«Mesmo que alguém apresente 40 milhões, existe uma nota que permite ao Porto manter o Hulk, comprando a totalidade do passe

Ferreira Leite: anatomia de um sorriso

Manuela Ferreira Leite tem um sorriso bonito. Falo sério. Bonito porque sim. Mas também porque tendemos a valorizar a beleza de um sorriso vindo de alguém que raramente o usa. A austeridade com que Ferreira Leite pautou a sua imagem pública durante muitos anos serve de fundo a aparição do seu sorriso, potenciando-lhe a graça. Naturalmente seríamos inocentes de julgássemos que o sorriso de Ferreira Leite entra em cena na Primavera-Verão de 2009 por mero estado de alma.

Até certa altura exaltou-se o modo como Ferreira Leite se apresentava ao governo da nação sem qualquer concessão ao marketing da imagem. Às tantas diz Pacheco Pereira: "E aquela face desprovida de qualquer defesa, exposta ao escrutínio quase incomodado dos espectadores, transmutou-se numa beleza muito especial, muito rara - a da verdade". Um pouco como todos os concorrentes do Big Brother terão afirmado em sua defesa, tratava-se de explicar que Ferreira Leite "é como é": tem uma imagem que não agrada, que não se enquadra no culto contemporâneo da jovialidade, mas é como é, fiel a si mesma. Na presença mediática de Ferreira Leite o sorriso surgiu como uma importante concessão, uma suavização imagética através da qual Ferreira Leite buscou desagravo depois de, muito genuinamente, "ser como é" em relação à família para procriação, em relação aos empregos para cabo-verdianos e ucranianos e em relação às pausas da democracia.

O aspecto mais irónico é que, seja na celebração da seriedade incorporada por Ferreira Leite, seja no modo como o sorriso abjura a severidade de outrora, Ferreira Leite faz hoje depender a sua mensagem, como nenhum outro candidato, precisamente da imagem. Temos uma paradoxal candidata de plástico em que a omissão de propostas e a fragilidade discursiva é apresentada como uma política de verdade, uma visão insólita que defende a ausência de substância política como uma nova forma de moralidade na política.

Até há um tempo muita gente julgava Ferreira Leite capaz de tudo menos de sorrir. Hoje vamos começando a suspeitar que entre a verdade das rugas e o sorriso bonito está tudo aquilo de que ela é capaz.

Silvestre Varela

Não há jornalista que mencione o Varela sem lembrar que veio das escolas Sporting. É uma tortura desnecessária para quem tem o Djaló.

Jorge Jesus

Desde o regresso de Camacho que não via tanto entusiasmo com um treinador do Benfica.

ERC

"Toda a lei que oprime um discurso está insuficientemente fundamentada" Roland Barthes
Já o sabíamos, mas, francamente, Azeredo Lopes mal se esforça.

A era dos extremos (o fim de certa blogosfera)

The Age of Extremes. Feito o devido downgrade, o título da obra de Eric Hobsbawm é suficientemene adulterável para descrever aquele que foi o momento fundador da blogosfera portuguesa. Mais, descreve a natureza da blogosfera política que lhe sucedeu e que acabaria por perdurar até há bem pouco tempo. A aparição de uma blogosfera portuguesa, resolutamente marcada pela direita intelectual e provocatória que se corporizou na coluna infame, foi de molde a definir o debate político em termos diversos da demais esfera pública. O facto é que os dados inicialmente lançados impuseram lógicas de radicalismo e afinidade ideológica que longamente definiriam os termos do jogo. Além dessa direita intelectual, decididamente à direita do PSD, fosse pela irreverência e pelo culto do politicamente incorrecto, fosse pela afirmação de um conteúdo ideológico orgulhosamente de direita, a blogosfera tornar-se-ia também o habitat de um certo liberalismo que se reivindica subsisidiário de Friedrich Hayek e Isaiah Berlim (seria difícil noemar todos os blogs que se destacaram nesta linha). Escusado será dizer que este liberalismo não tinha então qualquer correlato significativo na vida partidária indígena (só muito mais tarde Passos Coelho ensaiaria uma tradução política).

Como resposta, haveria de surgir uma blogosfera ideológica à esquerda do PS, conotada sobretudo com o Bloco de esquerda, que se mostrou capaz de afirmar uma agenda vincadamente de esquerda recorrendo aos usos da ironia e do cinismo, marcas de estilo que a direita influentemente havia cultivado. Parece-me lícito afirmar esta esquerda ideológica surge na blogosfera como uma réplica vagamente simétrica da direita que então dominava. Esta vaga de esquerda -- com corolário no Blog de Esquerda e no Barnabé -- viria também a ser grandemente definida e impulsionada, no seu "radicalismo oposicionista", tanto pela oposição à governação Barroso/Santana Lopes, como pela constestação à guerra do Iraque -- estávamos numa altura em que a política internacional aparecia como uma dimensão decisiva na demarcação política (voltaria a acontecer com a guerra do Líbano).

Assim se forjou uma era em que o debate político ia sendo fortemente alimentado pelas franjas do espectro político e em que a discussão vivia de questões marcadamente ideológicas. Pois bem, essa era acabou. Hoje a blogosfera é um reflexo fiel da esfera pública portuguesa: o debate ideológico foi largamente substituído pelas questões pragmáticas do governo da república e a crítica tendencialmente indiscriminada deu lugar aos rigores da lealdade partidária. De facto, não haveria forma de olharmos para o Jamais ou para o Simplex senão como sintomas cintilantes de uma nova era, uma era em que os partidos do centro político reclamam na blogosfera o protagonismo que lhes é devido no mundo real. Enumerando as causas desta transformação, poderíamos dizer que resulta de uma crescente densificação de transações entre a blogosfera e o mundo exterior, que resulta da institucionalização de algumas vozes sob a morna respeitabilidade dos media tradicionais, que resulta de uma conjuntura em que a política internacional não fomenta fracturas ideológicas de maior, que resulta de um clima pré-eleitoral que favorece um calibrar das relações de poder, que resulta, enfim, do magnetismo de um centro político que assim revela a extensão da sua hegemonia.

Dì qualcosa di Sinistra

Num defeso insolitamente agitado, a partir de hoje passo a acumular disfunções no 5 dias. Será uma forma de melhor vazar o fervor político que me toma em vésperas eleitorais. Ou seja, enquanto durar a vontade de dizer coisas de esquerda, os posts tendencialmente políticos passarão a figurar tanto no avatares como no 5 dias. As demais dores de alma, essas, matêm-se a coberto da semi-clanestinidade deste cantinho.


Avulsos

"Quem cresceu a jogar Space invaders sabe que a vida é mais justa se cada um beneficiar de pelo menos três naves. Todos falhamos e a tolerância é uma característica muito estimável." Vasco Barreto, Aparelho de Estado

Avulsos

"X. contou-me certo dia que decidiu «exonerar da sua vida os amores infelizes» e que esta frase lhe pareceu tão bem feita que isso quase bastou para compensar os fracassos que a tinham motivado; então comprometeu-se (e comprometeu-me) a aproveitar melhor essa reserva de ironia que está na linguagem (estética)." Roland Barthes

Versões de um mesmo mito

Notícias de 4 de Agosto:

Alonso (ex-Nacional) assina pelo Marítimo.
Alonso novo reforço merengue.

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Sporting (1-1)

Excelente resultado, péssimo jogo. Por amordedeus, há 3 anos que o Sporting é o bocejo do futebol nacional. Se o Sporting for jogar assim para a Champions, espera-o uma humilhação semelhante à sofrida contra o Bayern de Munich. A falta de dinheiro não justifica o fastio do losango (basta lembrar o Braga da época passada), não justifica uma pré-época mal organizada (o Sporting entra em competição na Champions com menos jogos de preparação do que o Benfica no troféu cidade Guimarães), nem justifica uma sucessão de equívocos:

1- Carriço é uma opção ideológica (a formação, a formação), Tonel é mais decisivo no espaço aéreo, uma das carências do momento.
2- Não se percebe a substituição de Matias Fernandez.
3- Não se percebe a substituição de Postiga.
4- Caicedo entrou tarde.
5- Djaló pode ser uma boa opção para abrir um dos lados do losango, mas, sei lá, convinha ensaiar primeiro.
6- Não se percebe a falta de pernas (tudo gente jovem).
7- Não se percebe a des-sincronia (tudo gente que se conhece)
8- Vukcevic no banco (here we go again).

Two Lovers (Dois Amores)


ERC e Pacheco Pereira

Percebo e acompanho muitas das críticas à directiva da ERC, só não estou inteiramente certo que a ERC seja um complexo dispositivo censório cujo objectivo central, talvez único, seria calar Pacheco Pereira. Pacheco Pereira discorda:
"Como também não custa compreender, pelo que se escreve e se "ilustra" nos jornais, a Quadratura do Círculo, é provavelmente o alvo principal desta "directiva" e duvido muito que seja pela presença de António Costa."
Ou seja, vamos ver se percebo: a directiva da ERC visa atingir a Quadratura do Círculo visto que, enquanto candidato, António Costa passará a estar numa situação de incompatibilidade em tempo de campanha eleitoral. Mas a ERC não está preocupada com António Costa, visa, sim, minar a quadratura do círculo para assim atingir -- adivinharam -- Pacheco Pereira. Resumindo, a directiva da ERC cria regras que regulam toda a comunicação social para, no fundo, chegar ao que lhe interessa: calar a voz incómoda de Pacheco Pereira.

The Searchers (1956)


Wikipedia: "In real life, abducted children who spent more than a year with the Comanches typically became highly assimilated and did not want to leave their adoptive people".

Sempre pensei que isto fosse óbvio para toda a gente.

Joana Amaral Dias

Restam poucas dúvidas que a polémica em torno da recusa de Joana Amaral Dias é um rombo na estratégia do PS de aproximação à esquerda não tanto por políticas como por nomes. O BE beneficiou eleitoralmente com esta novela: pelo modo como os desmentidos trapalhões o colocam do lado dos factos (sim, houve convite por um membro do governo), e pelo modo como a posição de Joana Amaral dias trouxe para a arena pública a dicotomia convicção/coerência vs atracção pelo poder/pragmatismo, dicotomia esta que, talvez perversamente, acaba por condicionar a leitura de outras migrações para o PS - a razão pela qual a denúncia de convites em sentido contrário não surte grande efeito é, exactamente, porque nesses a atracção pelo poder não se insinua como móbil.

Isto dito, e fora do imediatismo eleitoral, cabe acrescentar que a recusa de Joana Amaral funciona como uma chapada de luva branca para quem, no BE, não soube digerir o apoio a Soares como expressão da mesma firmeza de convicção que agora se revela.

Incapaz de perceber o que seja pensar pela própria cabeça, André Couto, indignado, pergunta: "porque não reagiu assim quando há dois anos foi convidada para ser mandatária da candidatura de Mário Soares?"
Tento uma resposta: porque apoiava a candidatura de Mário Soares.