O som e o sentido

"Levas tudo?"

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Testamento Vital

"[com os doentes terminais] os médicos têm problemas de comunicação, porque as coisas estão muito centradas no modelo paternalista. O médico é que sabe o que é melhor para o doente." Isabel Neto (DN)
Exagero? Talvez. Mas como lembra o Vasco Barreto, a posição do Bastonário da Ordem dos Médicos em relação ao Testamento Vital é um sinal deveras preocupante. 

Maldini (1984/1985-2008/2009)



Maldini jogou pela primeira vez na equipa principal do A.C. Milan em 1985. Anteontem, domingo, pôs fim a uma carreira de futebolista profissional integralmente cumprida ao serviço dos rossoneros. De excelente jogador a excelente jogador de clube, a longeva lealdade de um homem tão bonito não poderá deixar de ser motivo de admiração. Para os que, como eu, pouco conheceram do mundo prévio aos seus lançamentos de linha lateral, fica o vago pavor de começar a época sem Maldini. Agora que ele deixou de calçar meias de enchimento, a primeira jornada perde força de começo. É um facto, estamos a ficar velhos.

Gajas e Totems

A discussão sobre a desajabilidade de gajas boas vs gajas intelectuais (ouvi-a ser recapitulada na estação no outro dia) foi mais que prefigurada por Malinowski e Lévi-Strauss. Malinowski defendia que os clãs escolhem os seus totems de acordo com aqueles que são "bons para comer". Lévi-Strauss contestou: os clãs escolhem os seus totems, não porque são bons para comer, mas porque são "bons para pensar". Embora me incline para tomar por certas as conclusões de Lévi-Strauss, seria mirífico acreditar que a escolha de totems responde a um só desígnio, universalmente partilhado, consistente no tempo. Há os bons para comer, há os bons para pensar (e haverá os bons para sofrer). Não acredito que a escolha de parceiros seja muito diferente, tanto na coexistência e variedade dos critérios como na incontornável ambição de síntese. No fundo, uma gaja tem que ser plausível para Malinowski (boa para comer), plausível para Lévi-Strauss (boa para pensar) e plausível para nós (boa para pensar que prefere comer outro).

Bénard


"Mas nem Wordsworth nem Kazan terminam no desespero ou nesse desespero. Após os versos que dão título ao filme [Splendor in the Grass], Wordsworth diz: «We will grieve not, rather find / strenght in what remains behind.» (...)
«Como numa tragédia grega: sabemos o que vai acontecer e só podemos ver o que acontece.» Estas palavras são de Kazan. Mas esta tragédia americana não acaba em mortes violentas. Só na morte que cada um de nós traz dentro de nós, feita de tudo «what remains behind». «We will grieve not» e, por isso mesmo, a nossa dor é muito maior. De Deannie Loomis e de Bud Stamper me despeço com outro poema de Ruy Belo: «Mas agora que cantei da tristeza / não observo já os mais leves traços / e a minha maneira de me matar / é deixar cair ambos os braços.» É a isto que se chama «intimação à imortalidade»?"  Bénard da Costa, Os filmes da minha vida, Os meus filmes da vida, vol I

Wishful thinking

"Ninguém tem relações só por ter preservativo", diz Duarte Vilar, director executivo da Associação de Planeamento Familiar (APF).

Posso confirmar, andei anos com um na carteira. Cultos de carga, pois.

A adopção por casais homossexuais é que não

An inquiry into child abuse at Catholic institutions in Ireland has found church leaders knew that sexual abuse was "endemic" in boys' institutions (...) BBC News

Exorbitar disfunções

A partir de hoje junto-me ao Vasco Barreto, ao Luís Rainha, ao José Mário Silva e à Ana Leonardo: passo a escrever também no Blogue de Esquerda.  Reparei que não havia lá fotos em bíquini de namoradas de multimilionários russsos. Fiquem tranquilos, já resolvi o assunto. 




Ler

"Num País a Sério", Pedro Magalhães, Público.

Cristo-Rei

A imagem de Nossa Senhora de Fátima encontra-se em Lisboa no âmbito das comemorações dos 50 anos do Cristo-Rei. Aquilo a que alguns chamariam meeting de estátuas é vivido por outros como um dramático reencontro, dois mil anos passados.

Amores d´aço

"I steel love you"
Pintado numa parede de Leiria.

Caixa de sapatos

Uma carta de amor com a palavra "incindíveis" não pode ser considerada cabalmente ridícula -- isto quando se sabe que as ridículas é que permitem facturar (cabalmente, pois). Aquilo foi uma adolescência muito complicada.

Chego à conclusão que

Não querendo ser polémico, acho que o Miguel Serras Pereira tem jeito para línguas.

Avulsos

"Durão Barroso é o caniche de Angela Merkel" Wolfgang Münchau, I.
Prudentemente, nesta leva as caravelas vão cheias de Pedigree Pal.

Jorge Jesus e Vera Roquete

Recebo pelo Lourenço Cordeiro (nestes dias sentado num passeio em Jerusalém, folha de palmeira de prevenção, à espera que Jorge Jesus apareça montado numa mula para desenhar um meio campo com um médio pivot e três meias a partir dos despojos da trindade Quique-Rui Costa-Luis Filipe Viera -- a questão teológica, de origem marcadamente Hindu, prende-se com a verosimilhança de uma transformação paradigmática alterando apenas um dos elementos do trio eléctrico que um dia prometeu espalhar épicos wagnerianos pelas ruas nostálgicas da lusofonia benfiquista, mas isso é lá com eles), recebo pelo Lourenço, dizia, uma corrente que me insta (assim mesmo) a revelar (as) 15 séries de TV que marcaram a minha vida.

Como também não estou livre da nostalgia, cada um com as suas razões, vou ser totalmente indulgente com as vagas memórias de um tempo cujo ponto de ancoragem terá sido o Agora Escolha e, com ele, a Vera Roquete (por quem nunca tive qualquer tipo de fetiche, e bem sabemos como os infantes daquele tempo estavam dispostos a forçar a nota nos parcos estímulos fornecidos pela TV, desconfio, por isso, que a Vera Roquete nunca conseguiu cumprir cabalmente o seu papel na memória afectiva da minha geração: a ausência de uma posteridade psicanaliticamente verificável faz da Vera Roquete um flop geracional da envergadura de um Jordi Cruyff).

Séries:
Bel e Sebastião - Ainda hoje tenho reservas quanto aos animais no circo.
O Cão Vagabundo - A ética budista incorporada por um pastor alemão. Desconfio que fosse um bodysatva.
Tudo em família (Archie Bunker) - É um milagre eu não me ter tornado reaccionário ou, pior, um reaccionário disfarçado de liberal.
Norte e Sul - Tocou-me muito aquilo de a Kirstie Alley se ter apaixonado por um escravo.
Bangkok Hilton - Não vou jurar, mas creio que reparei na Nicole Kidman muito antes do Tom Cruise.
As misteriosas cidades de Ouro - Cheguei a equacionar uma carreira como o Hiram Bingham português.
Modelo e Detective - Sempre defendi que eles deviam ficar juntos.
A hora de Alfred Hithcock: Lembro-me que morria gente em circunstâncias bastante desconfortáveis.
Twilight Zone: Conferiu-me os rudimentos para compreender a gestão desportiva de Luís Filipe Vieira
Os jovens heróis de Shaolin: Tal como a Tony Blair, a história um dia vai-lhes fazer justiça.

Fiquei pelas 10. Passo a corrente ao Yesterday Man.

IV


Eu é que agradeço











Fotos: Catarina Morais

Vital Moreira

Condene-se a violência, o insulto e a tentativa de privatização partidária da manifestação. Mas não se esqueça isto: só se acusa de traição alguém cuja partida ainda fere. No dia 1 de Maio Vital Moreira foi amado do avesso, é pena que não o perceba.

Por favor, liguem o som



Via @CarlosBarradas.

O som e o sentido

Não vás à queima.

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