Yes, you can


Proust no fut 7

Ontem, 23:45, torneio amador no campo de Santa Cruz. O seguinte diálogo:

Eu: "Senhor árbitro, está a ser condescendente com a deliberada estratégia da equipa adversária para queimar tempo nas reposições de bola". [perdíamos 4-3].
Árbitro: ".... Tenha calma, jogador. [aponta para o relógio]. O tempo está todo a ser contabilizado para os descontos". [perdíamos 4-3]. [o guarda-redes adversário seguia encerando a bola].
Eu: "Mas o ritmo de jogo está a ser cortado numa fase do jogo em que estamos com ascendente anímico. Isso não se recupera com descontos" [perdíamos 4-3].
Árbitro: "... ... Tenha calma, jogador."

No final do jogo o marcador (inexistente) assinalava a nossa derrota por 5-3. Qualquer árbitro devia saber que nenhuma compensação redime o tempo perdido. O ritmo do jogo é um deus caprichoso.

Blogoconto II

"E o technorati sem saber de nada".

Começar de novo

Uma nova frente contra o terrorismo:

Hulk, menos

Os jogadores ideais para o Porto não são os óbvios fora de série, esses são vendidos para os "grandes da Europa" a escusa de propostas irrecusáveis. Lamentavelmente eu estou com a mulher que gosta de ver o marido engordar a fim de o sentir mais seu. Queria que o Hulk corresse um bocadinho mais devagar.


Blogoconto

Ficarás sempre nos meus links.

Bruno Aleixo

Em entrevista ao Carlos Vaz (sic) na TSF (a rádio que teve o mérito de estar sintonizada na altura em que o rissol deu entrada no buraco das cassetes).

[Crying Light, Antony and the Johnsons]



"After all, how many albums about anguish, death and body dysmorphia, sung in a tremulous, mournful, Nina Simone-inspired voice, does a person need?"

Depende.

Há sempre um gajo consensual na foto


Mas porquê (sempre) o Pelé?

Descubras as diferenças

Imagem Original


Imagem do Cartaz

João Lopes, explica.

O som e o sentido

"Aparece lá um dia".

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Ronaldo

O

Gratidão

Blair prepara-se para receber das mãos de Bush a honrosa Medalha da Liberdade. Segundo notícias recentes, o próximo cão da Casa Branca deverá ser um labrador ou um cão de água português.

Parabéns Ronaldo

Não gostar do Cristiano Ronaldo é um luxo que eu deixo para quem, além do mínimo discernimento caracteriológico, tem uma vida para além do futebol. Da minha parte, como patético espectador, daqueles que, em directo, fazem sucessivas esperas aos momentos arte dos milionários da bola (pelo menos com a mesma frequência com que organizo buffets privados de caju), estou-lhe confrandedoramente devedor. Esqueçam o orgulho nacional (ele até podia ser madeirense), mas gosto muito de saber que tamanho jogador anda pelo campo eu enquanto trinco o meu caju. Perdemos o homem para ganhar o jogador? Excelente.

Vozes na tela

"Com o ouvido e cheiro apurados, os homens desse tempo [século XVI] tinham, sem dúvida alguma, o olhar penetrante. Mas não tinham posto de lado ainda os outros sentidos”. LucienFebvre, 1947, O Problema da Descrença no Século XVI
Pondo de lado qualquer nostalgia medieva, o memorioso Febvre ilustra o calamitoso processo de especialização que lamarkianamente nos tem feito perder uso dos sentidos (o olfacto hoje em dia só serve para tirar as moelas do lume). A cultura moderna padece de um centrismo visual que não poderia deixar de ter repercussões num certo estreitamento dos indicadores da atracção (estranhamente Febvre não fala disto). Refiro atracção exactamente porque é nessas primícias do desejo que o domínio da visão é mais esmagador. Nalguma medida, a intimidade define-se pelo advento do tacto e pela importância que o olfacto adquire na fenomenologia do aconchego.

Já a voz é um elemento que não se dobra a este tipo de crescendo íntimo. Ela não aparece com o estreitamento da relação. Para o bem e para o mal, está sempre lá. Num ambiente cultural que a remete à quase clandestinidade, ela, a voz, não deixa de ser uma espécie de eminência parda: uma presença raramente tematizada mas responsável por importantíssimas nuances nas empatias erótico-sentimentais.

Depois há o contra-texto, e aqui queria chegar: aquelas presenças em que a voz, por singular, arrepiante, avassaladora, cativante, chorosa, se faz tema exuberante e ancora os demais sentidos. No cinema acontece-me muito. Não é raro o caso de actrizes que fatalmente fascinam pelo modo como baralham a hierarquia sensorial. Nelas o corpo visível é questão menor, tudo em mim é ouvidos. Alguns exemplos: Ludivine Seigner, Cate Blanchett, Lauren Bacall, Scarlett Johansson, Adrienne Shelly, Katherine Hepburn.

Sharon Tate


Teste

teste

Pragmatismo


Empedernido

O bom do Robert Fisk continua dizer estas barbaridades porquanto se recusa a abrir o coração à prosa da Helena Matos.

Vitalino Canas

Ontem parei por uns momentos numa entrevista em que Soares fazia uma notável impersonation de Vitalino Canas. Magnífico espectáculo. A convicção com que defendia Sócrates, simplesmente admirável. O Partido, idem. Aguardo por repetição urgente (tenho que pôr uma placa de tv nisto). Lamentavelmente, Ana Lourenço (precisa de ganhar peso para tapar o osso zigomático) parecia desiludida, pois claro, convida-se tamanho senador, pensaria, um pai fundador da democracia portuguesa, para mais com fama de gajo de esquerda, conhecido jeito para caneladas à classe dirigente, e sai-lhe aquilo, o anti-Alegre. A angústia da influência a fazer das suas, lá diria o crítico que se sonha a reencarnação do Samuel e que vê no Saramago o maior entre os de coração batente (certamente não leu o pós-nobel. A viagem do Elefante, alguém falou num regresso?, por favor, não me voltem a fazer isto). Ana lourenço, naturalmente inconsolável.

Avulsos

"A ideia de que as acções de Israel e do Hamas não são moralmente equiparáveis, pressupõe uma teoria moral que postula uma separação estrita entre intenções e consequências, que, quando levada ao extremo, é de uma perversidade absoluta." João Galamba, Jugular

Poder de síntese

"Fábio Coentrão: «Falhei em tudo»"

Avulsos

"(...) O que eu queria neste novo ano era combinar com o meu amigo de Gaza que ele vinha cá como combino com a minha amiga de Jerusalém Ocidental que vou lá. Queria, em suma, que ambos dormissem sem pensar que o céu lhes vai cair em cima da cabeça - mas é infinitamente mais provável que isso aconteça ao meu amigo de Gaza.
Tal como os líderes israelitas, os líderes palestinianos estão fartos de cometer erros, para já não falar dos árabes desde 1948. Eu também lamento que a escalada da segunda Intifada - de pedras para bombistas suicidas - tenha destruído o chamado "campo da paz" em Israel. Lamento a corrupção da Fatah, que se autodestruiu. Lamento os rockets do Hamas, que se voltam contra os palestinianos. Lamento tudo isto, como lamenta quem está de fora, mas eu vi lá dentro como o Hamas se tornou forte. Vi o Hamas ganhar as eleições em 2006, vi o Hamas tomar Gaza em 2007, e vi ontem o meu amigo de Gaza, que nunca foi do Hamas, escrever no chat que finalmente percebeu como é que uma pessoa se torna bombista suicida.
O problema não é só não haver um futuro, é não haver um presente. A cada dia que passa, o meu amigo de Gaza continua sem trabalho e sem poder levar a família para outro país. As filhas crescem todos os dias e esta vai ser a infância delas. Têm 40 quilómetros de comprimento por seis de largura para se mexerem, com más casas, más escolas, maus hospitais, má comida, má água. E vem a depressão, a doença, a violência.
Toda a gente sabe que a violência gera violência. Toda a gente sabe que não há solução militar. Toda a gente sabe - está em todos os documentos internacionais assinados por Portugal - que Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental são territórios nas mãos de Israel. Toda a gente sabe que há milhões de refugiados palestinianos há mais tempo do que eu estou viva e ninguém os quer. E é por isso que justificar o bombardeamento de Gaza com a defesa de Israel é tão obsceno - simplesmente porque toda a gente sabe que os palestinianos são os perdedores desta História. (...)"

Alexandra Lucas Coelho, Público 05-08-2008

Entretanto na Palestina

Os declarados preconceitos na leitura histórico-política que faço da situação israelo-palestiniana cedem à gravidade humanitária do momento -- afinal o humanitarismo é a política dos tristes, em que desgraçadamente me instalo--, coloco-me nas proximidades da clemência como argumento dos pedintes -- o único argumento que o cínico realismo das relações internacionais remotamente consente.

Tratado o fervor da indignação com os habituais banhos de impotência, tento perceber o cálculo para a invasão israelita de um ponto de vista estritamente securitário (a protecção dos cidadãos israelitas), como se estivesse na pele de Ehud Barak. Excluo a hipótese de uma perversidade eleitoralista. Excluo o voluntarismo do ódio e postulo que o governo eleito mais não faz do que salvaguardar os interesses seus representados. Tudo teses generosas.

Israel procura destruir as condições logísticas que permitiam ao Hamas o lançamento de rockets, e, num sentido mais amplo, procura destruir o poder para-militar do Hamas (sub-repticiamente apoiado pelo Irão e pelo Hizbolah, eliminando também os seus quadros). Não acredito que depor politicamente o Hamas seja a agenda secreta porque ninguém é estúpido o suficiente para julgar que é assim que se fortalecem os moderados face aos extremistas. Procura ainda aproveitar a justificação política dada pelos rockets para uma incursão militar que venha a redundar num cessar fogo tão vantajoso quanto possível (já tinha feito o mesmo aquando do rapto dos soldados no Líbano). A questão é que com os recentes bombardeamentos e com a invasão terrestre em curso, a consequência sócio-política não pode deixar de ser o fortalecimento da base social, seja do Hamas seja de qualquer movimento extremista que, em busca de pretexto ou legitimação, apele ao ódio contra os interesses de Israel ou dos seus aliados.

Portanto, o cálculo israelita pondera o pró da fragilização militar de um inimigo localizado e identificado e o contra do acréscimo de militância anti-Israel que previsivelmente se gerará no mundo islâmico. Mesmo que o Hamas seja destituído em toda a linha dos recursos para-militares com que empreendeu os recentes ataques, não custa supor que a via terrorista, na Palestina ou noutro lugar do mundo, terá dramaticamente alargado o campo de captação de bombistas suicidas. Sem outras interrogações, com sincero esforço, não vejo de que modo os ataques em curso se possam vir a traduzir num acréscimo de segurança para Israel ou para os seus cidadãos.

Cate


Cate Blanchett, Heaven, 2002

Ler

"How easy it is to snap off the history of the Palestinians, to delete the narrative of their tragedy, to avoid a grotesque irony about Gaza which – in any other conflict – journalists would be writing about in their first reports: that the original, legal owners of the Israeli land on which Hamas rockets are detonating live in Gaza. (...) But watching the news shows, you'd think that history began yesterday, that a bunch of bearded anti-Semitic Islamist lunatics suddenly popped up in the slums of Gaza – a rubbish dump of destitute people of no origin – and began firing missiles into peace-loving, democratic Israel, only to meet with the righteous vengeance of the Israeli air force" (Robert Fisk, 30 de Dezembro; ler aqui o artigo na íntegra).