Os corpos dóceis do PS

O debate sobre a violência sexual sobre menores está em pleno na Irlanda, após a divulgação de dois relatórios, o últimos dos quais em Novembro, que revela que mais de 2000 crianças foram violadas em instituições dirigidas pela Igreja desde 1930 e ao longo de 60 anos. É concluído que a hierarquia católica de Dublin fechou "obsessivamente" os olhos à situação e praticou uma política de silêncio. O relatório revela que 102 padres foram visados por 320 queixas e que os abusos "foram dissimulados pelo arcebispado e outras autoridades eclesiásticas". Público, 21.12.2009
A disciplina de voto imposta pelo PS contra a adopção por casais homossexuais corresponde a uma curiosa exaltação daquilo a que Michel Foucault chamava os "corpos dóceis", os corpos dobrados aos rigores das disciplinas institucionais -- tanto quanto, acrescentamos, às perversidades e caprichos perpetrados pelos putativos guardiões da ordem.

Temos, pois, por um lado, os corpos dóceis das crianças institucionalizadas que tantas vezes acabam sexualmente abusadas a coberto do secretismo do aparato institucional e religioso e, por outro lado, os corpos dóceis de deputados sempre disponíveis para abdicar de pensar em favor das disciplinas institucionais do partido. O facto é prosaico: os corpos dóceis destes últimos pactuam com a perversão sobre os primeiros.





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