Obama, o Nobel e os cínicos de pacotilha

Variando apenas nas figuras de estilo, as almas ansiosas do costume acotovelam-se para denunciar a falta de sentido na entrega do Prémio Nobel da Paz a Obama. Argumento central? É um presidente em guerra que ainda há poucos dias reforçou o contingente americano no Afeganistão em 30 mil operacionais, lembram. Isto como se o esforço de estabilização de uma guerra que não começou, cujos desvarios estratégicos não sufragou - ideológica e militarmente a posição da Nato no Afeganistão ficou muito fragilizada com a invasão do Iraque - minimamente correspondesse a uma actuação que privilegiasse a guerra em detrimento da diplomacia, que apelasse ao ressentimento civilizacional em vez da concórdia entre os povos.

Custa-me muito ter que fazer o trabalho de casa a cínicos preguiçosos, mas se queriam atacar o Nobel de Obama então podiam bem brandir o triste facto de a administração a que preside ter recusado subscrever o Tratado de Ottawa (Tratado relativo à erradicação das minas terrestres). E se queriam uma contradição à séria até podiam ter lembrado que a Campanha para a erradicação das minas terrestres recebeu o mesmo Prémio Nobel, em 1997. Enfim, cínicos de pacotilha.

Mapa dos países subscritores (a azul).

Nota: Arma tão atroz como cobarde, só no ano passado as minas feriram 5 mil pessoas, das quais 60% civis, 28% crianças.

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