Avulsos

"O anúncio em que a casa e a rotina de Cláudia Veira são reveladas pela câmara e voz do seu namorado é o único exemplo que conheço de uma inversão dos papéis tradicionais. Até então, salvo erro e excluindo a imprensa cor-de-rosa, nunca em Portugal o homem do casal havia assumido de uma forma tão explícita o papel de apêndice. Na praça pública, era invariavelmente a mulher quem desempenhava papel de bibelot, de uma quase-pessoa que se define apenas pelo seu estatuto conjugal. As feministas não rejubilaram, por se tratar de um anúncio em que uma mulher continua a aparecer para vender um produto ou porque a harmonia no lar de Cláudia Vieira seria contraproducente na luta que justamente travam contra a violência doméstica. Em todo o caso, gostaria de pensar que estamos perante um sinal de uma tendência futura: a de que assunção (e eventual instrumentalização) do papel conjugal não reflecte distinções de género." Vasco M. Barreto, Aparelho de Estado

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