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«Um vintém é um vintém, um cretino é um cretino».




Não pode deixar de comover a classe com que Manuel Machado subsume a vã filosofia do sucesso quantificável a um juízo desabridamente moralista. Que o dito tenha surgido na última pergunta da flash interview é um dado a ser considerado na estilística do insulto em apreço. Convenhamos, provavelmente Jorge Jesus não merecia e pouco se lhe terá dado -- depois de mais uma goelada. Mas que se lixe, não é todos os dias que vemos uma personagem de Shakespeare descer do túnel. Num momento histórico em que as goleadas tendem a tornar-se banais, a emoção do espectáculo depende, como nunca, de insultos de rara beleza.



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