Jornal de Sexta: missa do sétimo dia

Tal foi o levantamento de indignação, que até há uns dias parecia risível a tese segundo a qual o Jornal de sexta da TVI teria finado na sequência de um estudado favor a José Sócrates. Interessantes questões se colocaram sobre o quando e o porquê de tal decisão: seriam os tortuosos caminhos de uma rizomática cadeia de influência a definir um timing demasiado estrepitoso (um director’s cut a que Sócrates perdeu o controlo dos tempos da montagem); seria, outrossim, o prurido jornalístico da administração da empresa a querer cortar com um espaço industriado por uma lógica persecutória, deontologicamente duvidosa.

Em todo o caso, resultava uma convicção mais ou menos consensual, o fim do Jornal de Sexta da TVI, no momento em que se deu, e dadas as reiteradas declarações de incomodidade por parte do PS, prejudicaria Sócrates: ficava demasiado exposta a suspeita de uma decisão política. Tanto assim que para muitos seria mais plausível uma espécie de teoria da conspiração: o Jornal foi fechado para vincular Sócrates à imagem de um autocrata pouco afeito a certas liberdades de expressão. Seja como for, tudo indica que o fim do Jornal de Sexta permanecerá numa nebulosa. Mas olhando para o rápido virar de página da agenda mediática, parece certo que as teorias da conspiração sobrevalorizaram a comoção a ser gerada por uma putativa luta pela liberdade de expressão. Desconfio que Sócrates ficou a a ganhar. Com a vantagem do tempo, fica fácil de concluir que o benefício político-eleitoral pelo fim Jornal de Sexta supera em muito o dano causado pela indignação que lhe compareceu ao enterro.



<< Home