Brinco

Certo dia fulana interpela-me no final de uma conferência. Fulana convida-me para conferência séria na instituição onde lecciona. Eu a solo pela manhã na sua escola superior de educação. Acedo. Fulana vai-me receber ao comboio. Fulana cora, hesita, e avança entre soluços: se me custaria muito tirar o brinco aquando da apresentação, não por ela mas por alguns colegas menos dados a essas modernices. Eu lamento (verdade), afirmo compreender a posição dela (verdade, só me faltou dizer "ainda bem que reparou no perigo"), informo que não levo a mal (verdade, ela estava mesmo aflita), mas que, em sendo o brinco um problema, nada me custaria regressar no comboio seguinte (mero gesto retórico, com o anfiteatro à espera nem que eu fosse com aqueles colares para esticar o pescoço, além do mais não ia tomar o pequeno almoço no café da estação). A conferência foi séria e não dei conta que alguém reparasse no brinco. Tempos houve em que dava para passar por excêntrico através do uso de bijutaria. Fulanas como aquela são raras. Fazem falta.

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