Joana Amaral Dias

Restam poucas dúvidas que a polémica em torno da recusa de Joana Amaral Dias é um rombo na estratégia do PS de aproximação à esquerda não tanto por políticas como por nomes. O BE beneficiou eleitoralmente com esta novela: pelo modo como os desmentidos trapalhões o colocam do lado dos factos (sim, houve convite por um membro do governo), e pelo modo como a posição de Joana Amaral dias trouxe para a arena pública a dicotomia convicção/coerência vs atracção pelo poder/pragmatismo, dicotomia esta que, talvez perversamente, acaba por condicionar a leitura de outras migrações para o PS - a razão pela qual a denúncia de convites em sentido contrário não surte grande efeito é, exactamente, porque nesses a atracção pelo poder não se insinua como móbil.

Isto dito, e fora do imediatismo eleitoral, cabe acrescentar que a recusa de Joana Amaral funciona como uma chapada de luva branca para quem, no BE, não soube digerir o apoio a Soares como expressão da mesma firmeza de convicção que agora se revela.

Incapaz de perceber o que seja pensar pela própria cabeça, André Couto, indignado, pergunta: "porque não reagiu assim quando há dois anos foi convidada para ser mandatária da candidatura de Mário Soares?"
Tento uma resposta: porque apoiava a candidatura de Mário Soares.



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