Ponto Contra Ponto II

O João Gonçalves escolheu atirar-se ao meu texto (“Ponto Contra Ponto”) como expediente para defender o Ponto Contra Ponto de Pacheco Pereira. Nada contra. Frentes do ataque? Primeiro pecadilho: o estilo da prosa, “certinha e respeitosa”, ao mesmo tempo capaz de fazer o leitor soçobrar à primeira linha de crítica negativa (agora que o estilo de João Gonçalves foi consagrado por Pacheco Pereira teríamos mais é que lhe imitar a pinta, já se percebe) e capaz de ser apreciada por quem deve ser apreciada, ou seja, imagino, o vasto universo de pessoas menos estimadas pelo João Gonçalves (deduzimos que entre as pessoas menos estimadas pelo João Gonçalves se encontrem grandes quantidades de hermeneutas persistentes).

Segundo pecadilho: acusei Pacheco Pereira de medroso: “Até se fala no «medo»”, diz o João Gonçalves. Verdade que até se fala no medo, mais exactamente quando digo que, entre outras coisa, Pacheco Pereira nos quer converter ao medo pela extrema-esquerda. Creio não dar novidade a ninguém afirmando que Pacheco Pereira, um pouco na linha de Augusto Santos Silva, vem tentando descredibilizar os partidos à esquerda do PS acusando-os de extremismo, acusando-os de estarem fundados numa tentação totalitária, acusando-os de usarem a respeitabilidade democrática como fachada. É no mínimo espectacular (lá estou eu a ser certinho e respeitoso) a passagem que permite ao João Gonçalves aparecer como o cavaleiro andante de Pacheco Pereira para lhe defender a coragem. Para que fique claro, até vejo Pacheco Pereira com alguém corajoso, prova-o o modo como se insurgiu com a linha que a certa altura dominou o PSD, pouco fazendo das acusações de traição.

Mas também acho, e aqui volto a um dos pontos da “análise”, que Pacheco Pereira perde noção de ridículo quando fantasia um clima de censura mediática e de silenciamento pelo politicamente correcto, “os tais tempos difíceis para a opinião”, de modo a poder configurar-se como a voz anti-regime que heroicamente resiste em nome da liberdade. Nesse sentido, a alusão ao post do Filipe Nunes Vicente, onde se faz equivaler a crítica ao Ponto Contra Ponto a uma questão de liberdade de expressão, mostra que ou João Gonçalves partilha da visão paranóica de Pacheco Pereira ou – o que apesar de tudo me tranquiliza – não quis entender linha do que se tem dito sobre o novo programa.(Replay)

Comments:

Enviar um comentário

Comentários



<< Home