Governo Sombra: Mário Lino

Mário Lino, que até ao momento ainda não comentou um eventual acordo pré-eleitoral com Manuela Ferreira Leite, vai fazendo o que pode garantir a rotatividade governativa. Ao contestar ontem em conferência de imprensa as conclusões do tribunal de contas, o ministro das obras públicas mostrou como deve trabalhar um Caterpillar gripado em arranjos de demolição. Num momento em que a reduzida capacidade do PS para convencer o país da bondade das grandes obras públicas vai sendo um dos trunfos eleitorais do PSD, nada como dar tempo de antena ao homem que, desde o Jamais, corporiza a firmeza governativa de Sócrates. Igualmente inteligente terá sido a estratégia de apontar baterias, cirurgicamente, contra o relatório do tribunal de contas, contra a comunicação social e contra todos aqueles que, pela mera omissão de um concurso público, possam estar convencidos de marosca da grossa. Ainda assim creio que Mário Lino podia ter feito um pouco mais. Uma conferência conjunta com Jorge Coelho e José Sá Fernandes a defender o contrato com a Liscont teria tido um impacto bem mais assinalável, seria uma forma de manter a passadeira vermelha bem estendida sob Ferreira Leite, de lembrar o PS como parte da parte do exército político cujos ex-ministros descobrem vocação para o negócio (in your face, Dias Loureiro) e, finalmente, uma forma de dar um impulso a Santana Lopes relembrando Sá Fernandes como o incorrupto que não tem muito jeito para escolher cadeira no Prós & Contras (a rebocada que António Costa estava a precisar depois daquelas bocas sobre o Metro).

Mil corninhos de Manuel Pinho jamais sonharão o estrago consistentemente laborado pela solenidade bonacheirona de Mário Lino.



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