As grandes obras públicas

A dificuldade política de Sócrates em avançar com grandes projectos deve-se, em parte, ao que pode haver de contra-intuitivo nos grandes investimentos em tempos de crise (apesar da apregoada racionalidade ecomómica). No entanto, a sondagem em que 2/3 dos portugueses se manifestam contra a imediata execução do TGV, da nova ponto sobre o Tejo e do Aeroporto, é produto de um outro tipo de cepticismo. Primeiro, reserva em relação a uma putativa megalomania nascida da vontade de imitar a Europa civilizada. Segundo, mais importante, reserva em face da assombrosa facilidade com que caíram as firmes certezas do governo em relação à OTA. O facto é prosaico: a passagem do aeroporto da OTA para Alcochete, sob pressão da sociedade civil, representou um golpe mortal no capital de confiança do governo para decidir sobre obras públicas, quanto mais grandes obras públicas. Esqueçam o reformismo autoritário de Correia de Campos, esqueçam as gafes de António Pinho, esqueçam o achicalhamento dos professores às mãos Maria de Lurdes Rodrigues. No dia das eleições, a lógica empreendedora de Sócrates terá contra si o inesquecível "jamais" de Mário Lino.



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