PT e TVI

A PT, empresa em que o Estado tem uma posição estratégica (golden share ou lá o que é), comprou 30% da Media Capital, como sabeis, grupo económico que possui a TVI. Só por ingenuidade nos permitiríamos a acreditar no alheamento do governo face a um negócio de tal monta (atenção, eu consigo ser extremamente ingénuo, por exemplo, estou realmente convencido que o dente do siso do Cissoko pôs tudo a perder, estou certo que o Bill Murray disse à Scarlett Johansson "no café da esquina em 5 minutos", etc.). Enquanto os analistas políticos se apressam a denunciar uma manobra de controlo mediático potencialmente contra-procedente, porque descarada, a verdade é que a inevitável* mudança da linha editorial da TVI tem três meses para mostrar serviço. No fundo, alguém no governo elaborou um elementar cálculo custo/benefício (talvez o ministro Mário Lino no intervalo das palavras cruzadas, já que em estágio para a reforma), em que o custo é transparência de uma tal manobra de concentração mediática, desfaçatez autoritária a ser denunciada nas colunas de opinião e na blogosfera durante uns dias. O benefício: 3 meses de TVI com rédea curta. Se a compra foi feita exclusivamente pelo interesse económico, simples: má política (mulher de César e assim). (Replay)

*Não é necessária uma actividade censória ou troca de chefias na direcção de informação, a publicitação da compra constitui per se uma eficaz ameaça tutelar; ainda que inconscientemente ficará a pender sobre veleidades editoriais.

P.s. À parte a tentação para incensar a bondade das "mãos nacionais", o Paulo Gorjão oferece uma leitura interessante. Segundo ele, o governo consentiu num bom negócio mesmo sabendo que a compra poderia dar azo a todo o tipo de suspeitas. Sócrates terá sacrificado a sua imagem de pluralista voltairiano em prol do bem do Estado (e dos demais accionistas da PT). Sem ironia, é uma boa antítese. Creia quem quiser.



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