Jorge Jesus e Vera Roquete

Recebo pelo Lourenço Cordeiro (nestes dias sentado num passeio em Jerusalém, folha de palmeira de prevenção, à espera que Jorge Jesus apareça montado numa mula para desenhar um meio campo com um médio pivot e três meias a partir dos despojos da trindade Quique-Rui Costa-Luis Filipe Viera -- a questão teológica, de origem marcadamente Hindu, prende-se com a verosimilhança de uma transformação paradigmática alterando apenas um dos elementos do trio eléctrico que um dia prometeu espalhar épicos wagnerianos pelas ruas nostálgicas da lusofonia benfiquista, mas isso é lá com eles), recebo pelo Lourenço, dizia, uma corrente que me insta (assim mesmo) a revelar (as) 15 séries de TV que marcaram a minha vida.

Como também não estou livre da nostalgia, cada um com as suas razões, vou ser totalmente indulgente com as vagas memórias de um tempo cujo ponto de ancoragem terá sido o Agora Escolha e, com ele, a Vera Roquete (por quem nunca tive qualquer tipo de fetiche, e bem sabemos como os infantes daquele tempo estavam dispostos a forçar a nota nos parcos estímulos fornecidos pela TV, desconfio, por isso, que a Vera Roquete nunca conseguiu cumprir cabalmente o seu papel na memória afectiva da minha geração: a ausência de uma posteridade psicanaliticamente verificável faz da Vera Roquete um flop geracional da envergadura de um Jordi Cruyff).

Séries:
Bel e Sebastião - Ainda hoje tenho reservas quanto aos animais no circo.
O Cão Vagabundo - A ética budista incorporada por um pastor alemão. Desconfio que fosse um bodysatva.
Tudo em família (Archie Bunker) - É um milagre eu não me ter tornado reaccionário ou, pior, um reaccionário disfarçado de liberal.
Norte e Sul - Tocou-me muito aquilo de a Kirstie Alley se ter apaixonado por um escravo.
Bangkok Hilton - Não vou jurar, mas creio que reparei na Nicole Kidman muito antes do Tom Cruise.
As misteriosas cidades de Ouro - Cheguei a equacionar uma carreira como o Hiram Bingham português.
Modelo e Detective - Sempre defendi que eles deviam ficar juntos.
A hora de Alfred Hithcock: Lembro-me que morria gente em circunstâncias bastante desconfortáveis.
Twilight Zone: Conferiu-me os rudimentos para compreender a gestão desportiva de Luís Filipe Vieira
Os jovens heróis de Shaolin: Tal como a Tony Blair, a história um dia vai-lhes fazer justiça.

Fiquei pelas 10. Passo a corrente ao Yesterday Man.

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