Gajas e Totems

A discussão sobre a desajabilidade de gajas boas vs gajas intelectuais (ouvi-a ser recapitulada na estação no outro dia) foi mais que prefigurada por Malinowski e Lévi-Strauss. Malinowski defendia que os clãs escolhem os seus totems de acordo com aqueles que são "bons para comer". Lévi-Strauss contestou: os clãs escolhem os seus totems, não porque são bons para comer, mas porque são "bons para pensar". Embora me incline para tomar por certas as conclusões de Lévi-Strauss, seria mirífico acreditar que a escolha de totems responde a um só desígnio, universalmente partilhado, consistente no tempo. Há os bons para comer, há os bons para pensar (e haverá os bons para sofrer). Não acredito que a escolha de parceiros seja muito diferente, tanto na coexistência e variedade dos critérios como na incontornável ambição de síntese. No fundo, uma gaja tem que ser plausível para Malinowski (boa para comer), plausível para Lévi-Strauss (boa para pensar) e plausível para nós (boa para pensar que prefere comer outro).



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