Ralph Fiennes: The End of the Affair

Ralph Fiennes acumula muitas personagens marcantes representando um amante traído pelo destino. A consequência mais óbvia deste facto, que certamente deve à apetência do actor para corporizar uma certa dimensão trágica, é, a meu ver, a impossibilidade de escaparmos à recursividade imposta por cada reinvestida. O espectador memorioso está condenado a uma espécie de intertextualidade: os gestos, as palavras e os olhares por que Fiennes representa a angústia revoltada enviam-nos sucessivamente para outras histórias. Assim, aquilo que ganhamos em familiaridade perdemos em autonomia narrativa; por culpa de Fiennes, filmes como The Wuthering Heights (1992), The English Patient (1996), The End of the Affair (1999) e The Reader (2008) estão condenados a ser parte do mesmo filme.



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